Em reunião a portas fechadas com representantes do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), executivos do WhatsApp informaram que não será possível reduzir – antes do segundo turno das eleições 2018 – o número de vezes em que uma mesma mensagem pode ser encaminhada a diferentes usuários no aplicativo, segundo o jornal Estado de S. Paulo apurou com quatro participantes do encontro.
A proposta foi apresentada pela ONG SaferNet Brasil, que integra o conselho. Em julho, o WhatsApp anunciou que usuários brasileiros poderão encaminhar no máximo uma mesma mensagem a 20 contatos. Na Índia, a regra foi ainda mais rígida: os usuários indianos podem encaminhar apenas cinco vezes a mesma mensagem.
A SaferNet Brasil propôs que o aplicativo repita no Brasil a experiência indiana, limitando em cinco vezes o número de compartilhamento de uma mesma mensagem no aplicativo, em um esforço para combater a proliferação de “fake news”.
Procurado pela reportagem, o WhatsApp confirmou que não serão feitas mudanças no aplicativo ainda nesta semana.
Dentro do WhatsApp, a avaliação é a de que não seria apropriado mudar fundamentalmente o produto no Brasil a poucos dias do segundo turno das eleições 2018. Além disso, qualquer alteração envolveria a realização de testes internos e o envio de uma nova versão para ser baixada nos celulares.
“Trabalho belíssimo”
O secretário-geral do Tribunal Superior Eleitoral, Estêvão Waterloo, disse na segunda-feira, que a Justiça Eleitoral está fazendo um “trabalho belíssimo” no combate à disseminação de notícias falsas nas redes sociais. Waterloo é o coordenador do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições do TSE, que passou quatro meses sem se reunir.
O grupo, voltado para a formulação de estratégias para combater a proliferação de fake news, só voltou a se encontrar depois do primeiro turno das eleições. Na reunião desta segunda-feira, participaram das discussões representantes do Facebook, Google e WhatsApp (por teleconferência) e agências de checagem de notícias.
“Não há nação democrática no mundo hoje que tenha feito um trabalho melhor do que o que nós estamos fazendo e do que vocês estão fazendo na temática na fake news. Não é possível sequer comparar”, disse Waterloo a jornalistas, depois de participar de reunião do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições.
“Então, podendo assim comparar pra quem olha um copo pela metade com água, você pode achar que o copo tá meio cheio ou meio vazio, a minha opinião é que a gente está fazendo um trabalho belíssimo e que não minimizamos esse tipo de problema”, comentou Waterloo.
A avaliação positiva do secretário-geral do TSE não é compartilhada por outros conselheiros ouvidos reservadamente pela reportagem, que acreditam que o tribunal minimizou o problema e está atuando a reboque dos acontecimentos.
Para um participante da reunião desta segunda-feira, o TSE “chegou tarde demais” e o nível da discussão parecia em estágio “inicial” sobre como combater a desinformação.
