As obras subterrâneas de proteção contra enchentes nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia e Areia, em Porto Alegre, terão nos próximos dias um novo capítulo com a etapa de concretagem de estruturas. Com investimento de R$ 1,2 milhão, a etapa antecede a instalação de novas tampas herméticas adquiridas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).
O objetivo é impedir a entrada de água dos rios por meio da tubulação, projetada para conduzir a água da chuva diretamente das regiões mais altas em direção aos mananciais. A obra também deve corrigir os chamados “chafarizes” em bueiros das ruas do 4º Distrito (Zona Norte) durante episódios de precipitação intensa.
Recebem melhorias dez pontos dos condutos forçados: três na avenida Polônia, três na rua Voluntários da Pátria, um na rua Álvaro Chaves, outro na avenida Carneiro da Fontoura, um na avenida Assis Brasil e um no Parque Marinha do Brasil.
Os condutos forçados são estruturas de drenagem urbana utilizadas para transportar grandes volumes de água da chuva em trechos onde a diferença de nível do terreno exige soluções especiais de engenharia. O conduto Álvaro Chaves, por exemplo, é essencial para essa logística nos bairros Auxiliadora, Bela Vista, Floresta, Higienópolis, Mont’Serrat, Moinhos de Vento, Navegantes, Rio Branco e São Geraldo.
Outras obras
As obras imediatas para proteção da área localizada entre os bairros Anchieta e Sarandi, também na Zona Norte, tiveram o processo de dispensa de concorrência pública aberto pelo Dmae no dia 3 de junho. Na próxima sexta-feira (12) as propostas serão conhecidas, possibilitando mais um passo rumo ao início das intervenções.
O projeto prevê a construção de um novo dique, próximo ao arroio Passo das Pedras, bem como a instalação de mecanismos de fechamento nas galerias que ligam o arroio Areia ao rio Gravataí.
Também registram avanços significativos as obras nas comportas de número 11 e 12. Na primeira, a abertura já foi reduzida a menos de 50% da extensão original por meio da construção de barreira fixa em concreto armado. As novas estruturas móveis devem ser instaladas no início de julho. Ambas foram reprojetadas para suportar a carga hidrodinâmica exercida pelo rio Jacuí na região.
As demais passagens já têm obras concluídas. Enquanto as de número 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14 foram extintas, as estruturas móveis do Muro da Mauá (Centro Histórico) passaram por processo completo de modernização e as de número 1, 2, 4 e 6 receberam melhorias de vedação, mobilidade e operação.
Já a licitação para as obras de resiliência climática nas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) 1, 3 e 4, na área central, está em fase de análise das propostas recebidas. Paralelamente, os trabalhos já estão em andamento nas Ebaps 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20, que passam pela consolidação dos projetos executivos.
As intervenções incluem a qualificação das estruturas prediais, além do fornecimento e da instalação de novos equipamentos eletromecânicos. Parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados para operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados, e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente nas unidades.
Outra obra de recuperação contempla a Estação de Bombeamento de Água Bruta (Ebab) Moinhos de Vento. O objetivo é a correção das falhas que possibilitaram a entrada do rio pela unidade operacional durante a enchente histórica de 2024. A previsão é de conclusão em julho.
A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) trabalha, ainda, na contratação de serviços pontuais de correção no prédio da Usina do Gasômetro, no Centro Histórico, a fim de proteger o local em caso de novas cheias do Guaíba. A previsão é de início das obras nas próximas semanas.
Os trilhos da empresa Rumo, do ramo ferroviário, que fragilizam o sistema de proteção na avenida Ernesto Neugebauer, receberão obras do Dmae nas próximas semanas. A previsão é que as melhorias sejam concluídas em menos de um mês após o início das intervenções.
Diques
Equipes da prefeitura, lideradas pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab) e pelo Escritório da Reconstrução, continuam trabalhando no acolhimento das famílias que residem na área do trecho 3 do Dique do Sarandi. A última etapa de intervenções na estrutura de proteção contra cheias, contemplando dois quilômetros de extensão, será iniciada assim que a área estiver liberada.
Os trechos 1 e 2 do dique já tiveram a reconstrução concluída, totalizando 1,5 quilômetro de estrutura com cota superior a 5,8 metros em relação ao rio Gravataí. O mesmo ocorreu no dique junto à sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), que passou por obras entre julho de 2024 e janeiro do ano passado.
Energia
A implantação da dupla alimentação de energia elétrica nas estações do Dmae é uma iniciativa pioneira no Brasil. Com investimento superior a R$ 18 milhões, o projeto garantirá funcionamento ininterrupto às 37 principais unidades dos sistemas de drenagem urbana, abastecimento de água e esgotamento sanitário de Porto Alegre.
Com o novo modelo, as estações passarão a receber energia de duas fontes independentes. Em caso de falha em um dos alimentadores, o sistema realizará o acionamento automático da fonte alternativa, assegurando maior redundância, confiabilidade e agilidade na resposta a ocorrências. A previsão é de conclusão da implantação em novembro.
(Marcello Campos)
