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A Odebrecht pagava a propina em parcelas porque se desse tudo de uma vez só, os políticos pediam tudo de novo mais adiante

Hilberto Mascarenhas (Foto: Reprodução)

Alguns delatores que não fizeram tantas acusações diretas contribuíram porque entregaram sistemas e planilhas aos investigadores. É o caso de Hilberto Mascarenhas Silva, que dirigiu o “departamento de propina” e entregou diversas planilhas nas quais há o registro de pagamentos.

Hilberto Mascarenhas também afirmou em sua delação que na Odebrecht não havia pagamentos à vista. As propinas e as doações de campanha não registradas eram repassadas em parcelas aos políticos.

“Era parcelado por dois motivos. Primeiro, porque os valores eram altos. E segundo, se eu desse tudo de vez, ele (o político) podia de novo, mais adiante, (pedir) mais. Então (a Odebrecht) ficava sempre devendo para poder dizer: ‘não, eu ainda tenho para lhe dar’. E dava. Porque se desse tudo de uma vez, adiante (o político) vai dizer: ‘não deu, preciso de mais para minha campanha’”, explicou o delator, rindo ao final, em depoimento prestado em 15 de dezembro de 2016.

Ele contou que a empresa chegou a fazer pagamentos à vista, mas que a experiência mostrou que o modelo não funcionava. “Tivemos experiência de pagar tudo de uma vez e o cara voltar e pedir mais”, afirmou Hilberto. (AG)

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