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Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial registra desempenho histórico do Brasil

Kristofer Stift Kappel (de camiseta vinho), orientador da equipe brasileira que conquistou uma medalha de prata, duas de bronze, uma menção honrosa e o 1º lugar em categoria da competição por equipe no Cazaquistão. (Foto: Divulgação)

O Brasil alcançou um resultado histórico na Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial (IOAI). Na terceira edição da competição, realizada em Astana, capital do Cazaquistão, a seleção brasileira conquistou uma medalha de prata, duas medalhas de bronze e uma menção honrosa na disputa individual, além de alcançar o 1º lugar em uma das categorias da competição por equipes.

Este é o melhor desempenho brasileiro desde a criação da Olimpíada Internacional, consolidando a evolução do país em uma competição que reúne alguns dos jovens mais talentosos do mundo na área de Inteligência Artificial.

Na disputa individual, Miguel Cyrineu Vale, de Campinas (SP), conquistou a medalha de prata. Ícaro Silva da Rosa Linck Fróes, de Canoas (RS), e Gonçalo Franke Franco, de Porto Alegre (RS), receberam medalhas de bronze. Rafael da Silva Pulcinelli, de Santa Amélia (PR), conquistou uma menção honrosa.

O resultado brasileiro ganhou ainda mais relevância na competição por equipes: os quatro estudantes conquistaram o 1º lugar na categoria AI-Native Robotics, que reconhece a solução com o uso mais eficaz de abordagens nativas de Inteligência Artificial aplicadas à robótica. A seleção brasileira foi liderada pelos professores Antônio Carlan e Kristofer Stift Kappel.

Realizada entre os dias 2 e 8 de agosto, a IOAI 2026 reuniu estudantes e equipes de dezenas de países em Astana para uma semana de provas, desafios e atividades acadêmicas envolvendo aprendizado de máquina, ciência de dados, programação, robótica e diferentes aplicações de Inteligência Artificial.

De 965 mil estudantes a uma seleção de quatro

Por trás dos quatro estudantes que representaram o Brasil no Cazaquistão está um dos maiores processos de identificação e formação de jovens talentos em Inteligência Artificial já realizados no mundo. A equipe brasileira foi definida a partir da 2ª Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial (ONIA), que teve 965 mil estudantes inscritos em todo o país.

A ONIA é hoje a maior Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial do mundo, reconhecimento destacado pela própria organização da International Olympiad in Artificial Intelligence.

A competição brasileira envolve estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental ao último ano do Ensino Médio e é organizada pela EDUSPACE, pelo Hub de Inovação em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Pelotas (H2IA/UFPel) e pelo Instituto de Inteligência Artificial do Laboratório Nacional de Computação Científica (IIA/LNCC), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A Olimpíada foi concebida não apenas para encontrar os estudantes que representarão o Brasil internacionalmente, mas também para ampliar de forma massiva o acesso dos jovens brasileiros ao conhecimento em Inteligência Artificial.

Por isso, a ONIA é estruturada em quatro fases progressivas. As duas primeiras são totalmente virtuais e funcionam como porta de entrada para o tema. Não é necessário conhecimento prévio em Inteligência Artificial para participar. O objetivo inicial é promover o letramento em IA, apresentar conceitos fundamentais e permitir que estudantes de diferentes realidades educacionais tenham contato com essa nova área do conhecimento.

Nas fases seguintes, o nível de complexidade aumenta progressivamente. Os participantes passam a trabalhar com programação, modelos de Inteligência Artificial e aplicações práticas, até chegar ao processo de identificação, seleção e preparação dos estudantes com desempenho suficiente para representar o Brasil internacionalmente.

“Queremos um Brasil protagonista e relevante na área de Inteligência Artificial e que não repita o que ocorreu com outras indústrias estratégicas”, afirma o professor Antônio Carlan, coordenador da ONIA/EduSpace e membro do board da International Olympiad in Artificial Intelligence.

Uma metodologia brasileira que chegou a outros países

O alcance da experiência brasileira ultrapassou as fronteiras do país. Em 2026, 35 países utilizaram a plataforma e a metodologia desenvolvidas pela EDUSPACE em seus processos nacionais relacionados à Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial.

O crescimento internacional ocorre em paralelo à expansão da própria ONIA no Brasil. Depois de reunir mais de 700 mil estudantes em sua primeira edição — número que já havia levado a IOAI a reconhecer a competição brasileira como a maior olimpíada nacional de IA do mundo — a segunda edição alcançou 965 mil participantes.

Além da escala, a distribuição dos estudantes premiados demonstra o alcance nacional da competição. Na 2ª ONIA, foram concedidas 28 medalhas de ouro, 75 de prata, 75 de bronze e 35 menções honrosas. Os premiados são oriundos de 18 das 27 unidades da Federação, e 42% são meninas.

Para os organizadores, esses números ajudam a demonstrar que talentos em Inteligência Artificial podem surgir muito além dos centros tradicionalmente associados à formação tecnológica no país — e que ampliar o acesso é uma condição essencial para identificá-los.

O próprio time brasileiro que chegou a Astana ilustra essa diversidade: seus quatro integrantes vêm de três estados e de cidades com perfis bastante distintos — Porto Alegre, Canoas, Campinas e Santa Amélia.

Próxima geração já pode começar

O resultado alcançado no Cazaquistão ocorre no momento em que uma nova geração de estudantes brasileiros começa a trilhar o mesmo caminho.

As inscrições para a 3ª edição da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial estão abertas, e são 100% gratuitas e podem ser feitas pelo site: www.oniabrasil.com.br.

Mais do que selecionar uma nova equipe para representar o país, a ONIA busca contribuir para a formação de uma geração capaz de compreender, utilizar e desenvolver Inteligência Artificial, uma tecnologia que já ocupa posição estratégica na economia, na ciência e no desenvolvimento das próximas décadas.

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