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ONG encontra barco com dez corpos de imigrantes no Mar Mediterrâneo

No ano passado foram registradas cerca de 330 mil chegadas não autorizadas, a maior desde 2016. (Foto: Divulgação/Médicos Sem Fronteiras)

Os corpos de 10 pessoas foram encontrados a bordo de um barco superlotado socorrido pela ONG Médicos Sem Fronteiras na costa da Líbia, no Mar Mediterrâneo. A operação de resgate ocorreu na última terça-feira (16), após um alerta do serviço Alarm Phone, e foi efetuada pelo navio humanitário Geo Barents, operado pela organização.

Segundo a ONG, 99 sobreviventes foram socorridos, mas 10 corpos estavam no fundo do barco de madeira. “10 mortes evitáveis, assim como as das outras 1.225 pessoas que perderam suas vidas na travessia do Mediterrâneo desde o início do ano. 10 pessoas que morreram sufocadas após 13 horas à deriva no mar. Como podemos aceitar isso em 2021?”, escreveu a entidade no Twitter.

O Geo Barents carrega agora 186 migrantes forçados, sendo que o mais jovem tem 10 meses de idade, e pede um porto seguro para atracar. “Muitos deles parecem traumatizados por uma terrível provação. Eles ficaram vagando no mar por horas, temendo por suas vidas, e precisam ser colocados em segurança o quanto antes”, acrescentou a ONG.

Rota mortal

A rota migratória do Mediterrâneo Central, entre Líbia e Tunísia, no norte da África, e Itália e Malta, no sul da Europa, é considerada a mais mortal do mundo pela Organização Internacional das Migrações (OIM) e vem registrando um aumento nas travessias.

Apenas a Itália já recebeu 59.472 migrantes forçados via Mediterrâneo em 2021, crescimento de 84% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o Ministério do Interior.

Os principais países de origem são Tunísia (14.865), Bangladesh (7.014), Egito (6.788), Irã (3.600) e Costa do Marfim (3.427).

Geralmente, esses migrantes usam a Itália apenas como porta de entrada na União Europeia e depois seguem para países mais ao norte, como a Alemanha.

Pelo menos 1.236 pessoas morreram este ano nesta travessia, contra 858 no mesmo período em 2020, relata Flavio Di Giacomo, da Organização Internacional para as Migrações (OMI). “É preciso aumentar as patrulhas no mar”, pediu a ONG Médicos Sem Fronteiras. As informações são das agências de notícias Ansa e AFP.

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