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Ônibus elétricos disparam: mercado cresce 92,5% no semestre

 

O Brasil vive uma virada histórica na eletrificação do transporte coletivo. No primeiro semestre de 2026, foram 589 ônibus elétricos emplacados, um salto de 92,5% em relação às 306 unidades registradas no mesmo período de 2025. O resultado confirma que o segmento deixou de ser restrito a projetos-piloto e passou a integrar programas estruturados de renovação das frotas urbanas.

De pioneirismo à escala

O país conhece ônibus elétricos há décadas: os primeiros trólebus começaram a circular em São Paulo em 1949, marcando o início da eletrificação do transporte coletivo. Desde então, o Brasil manteve experiências pontuais, mas foi apenas nos últimos anos que a tecnologia a bateria ganhou escala. A comparação com 2024 mostra a aceleração: o crescimento acumulado em 2026 é de 363,8% sobre aquele ano.

São Paulo lider

A entrega de 500 novos ônibus elétricos em junho foi decisiva. Com isso, a capital paulista ampliou sua frota para 1.759 veículos eletrificados, entre trólebus e modelos a bateria, consolidando-se como o maior polo da eletrificação no país. No semestre, São Paulo respondeu por 429 emplacamentos (72,8%), seguida por Brasília (90), São Bernardo do Campo (19), Aracaju e Goiânia (15 cada).

Oscilações e junho explosivo

Somente em junho, foram 278 ônibus elétricos emplacados, alta de 717,6% sobre junho de 2025 e quase 3.000% em relação a 2024. Diferentemente dos veículos leves, os emplacamentos de ônibus variam conforme licitações e cronogramas de entrega, o que explica oscilações mensais intensas.

Produção nacional consolidada

O semestre contou com 9 fabricantes ofertando 19 modelos. Do total, 476 veículos (80%) foram produzidos no Brasil, reforçando a capacidade industrial instalada. A Eletra liderou com 38% de participação, seguida pela Mercedes-Benz (19,2%) e pela BYD (18,5%). A predominância da produção nacional mostra que o setor já possui escala e competitividade para atender às demandas crescentes.

 Impacto e desafios

A eletrificação já demonstra benefícios ambientais e operacionais, reduzindo emissões e ruídos nas cidades. O desafio agora é garantir continuidade dos programas de financiamento, ampliar previsibilidade das compras públicas e criar condições para que a transformação alcance outras regiões além do Sudeste. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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