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Órgãos públicos federais terão de cortar o consumo de energia

Dirigente da Abimaq defender melhor distribuição de energia, para evitar que sobre em uma região e falte em outra. (Foto: EBC)

O governo federal publicou nesta semana um decreto no qual determinou que os órgãos públicos federais deverão reduzir o consumo de energia de 10% a 20% entre setembro de 2021 e abril de 2022.

O decreto é assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, foi publicado em edição extra do “Diário Oficial da União” de quarta-feira (25) e vale para órgãos da administração pública federal direta, autarquias e fundações. De acordo com o governo, a medida não engloba estatais.

Na última terça-feira (24), o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) chegou à conclusão que houve “relevante piora” das condições hídricas e que é imprescindível manter todas as medidas em andamento e adotar novas providências para manter os reservatórios das hidrelétricas.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o governo federal tem mais de 22 mil edificações próprias e cerca de 1,4 mil imóveis alugados, como escritórios, escolas, hospitais e universidades.

Redução do consumo

O decreto estabelece uma série de medidas que os órgãos federais deverão adotar para reduzir o consumo de energia nos prédios públicos, entre as quais:

— Desligar o aparelho de ar-condicionado quando o ambiente estiver desocupado;

— Limitar o resfriamento dos ambientes 24°C e o aquecimento a 20°C;

— Optar pela ventilação natural nos dias com temperaturas amenas;

— Desligar a iluminação quando os ambientes estiverem desocupados;

— Utilizar sensores de presença em ambientes como banheiros, corredores e garagens;

— Desligar o monitor, a impressora, o estabilizador, a caixa de som, o microfone e outros acessórios sempre que não estiverem em uso;

— Utilizar, sempre que possível, escadas para acesso aos primeiros pavimentos e para subir ou descer poucos andares.

Crise hídrica

O País enfrenta a pior crise hídrica dos últimos 91 anos. Os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste, que respondem por 70% da geração de energia do País, estão com 23% da capacidade de armazenamento, nível menor que o registrado em agosto de 2001, quando o País enfrentou racionamento de energia.

Em novembro, quando começa o período chuvoso, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) prevê que os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste vão chegar a 10% da capacidade.

Para preservar água nos reservatórios das hidrelétricas, o governo vem acionando as usinas termelétricas, que são mais caras e poluentes.

Capacidade insuficiente

O ONS informou nesta quinta-feira (26) que, a partir de outubro, a capacidade atual do País de geração de energia elétrica será insuficiente para atender à demanda. Na avaliação do órgão, é “imprescindível” aumentar a oferta de energia em cerca de 5,5 GW a partir de setembro.

As conclusões constam de uma atualização da nota técnica de monitoramento das condições do setor elétrico até novembro.

Entre as soluções que o ONS sugere para aumentar a oferta estão aumentar a importação de energia e a colocar em operação mais usinas termelétricas — que geram energia mais cara.

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