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Os bancos já veem crescimento zero do PIB em 2020 e não descartam o Brasil em recessão

Os dados referentes ao PIB dos Municípios de 2018 foram divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento de Economia e Estatística. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

A expectativa de um impacto maior do coronavírus na atividade mundial levou a uma nova revisão de projeções para o crescimento do Brasil em 2020, com expectativa de retração nos dois primeiros trimestres deste ano.

As incertezas sobre a duração da crise epidemiológica e a duração das restrições de circulação no Brasil, no entanto, provocam uma discrepância cada vez maior entre as projeções, que estão hoje em sua maioria entre 1% e 1,5%. Há também quem já fale em estagnação neste ano.

O Credit Suisse cortou na terça (17) a projeção de crescimento em 2020 para zero. Antes, o banco suíço previa expansão de 1,4% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

Devido a medidas de contenção do Covid-19, o banco vê um cenário de contração de 0,1% no primeiro trimestre em relação ao último de 2019 e de 1,6% no segundo trimestre.

“A performance da atividade econômica no primeiro trimestre foi menos afetada pelos impactos do coronavírus, dado que o país foi um dos últimos a apresentar disseminação das doenças”, diz o banco.

Também nesta terça, o Santander Brasil reduziu sua projeção de 2% para 1% em 2020. A instituição espera queda nos dois primeiros trimestres deste ano, mas trabalha com uma recuperação no segundo semestre, em um cenário em que haveria retomada da atividade a partir do controle da propagação do vírus.

Se isso não se confirmar, podem ocorrer novas revisões. “Existe chance de recessão”, afirmou o economista do Santander Maurício Oreng.

Com a retomada mais lenta, o banco revisou também a expectativa de crescimento de 2021, de 2,5% para 2%.

Na sexta (13), várias instituições revisaram seus números para o Brasil: o banco UBS, de 2,1% para 1,3%; o JPMorgan, de 1,9% para 1,6%; o Bank of America, de 1,9% para 1,5%.

O economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, revisou sua estimativa de 2,5% para 1,5%, considerando a expectativa de impacto similar ao de outros países, com o pico da doença no Brasil e nos EUA nas próximas duas semanas. Ele ainda considera exagerado falar em recessão, considerando os dados existentes até o momento.

“A gente aprendeu que a melhor estratégia é esse distanciamento social, de circulação das pessoas. E isso promove um choque de demanda e de oferta. Esse controle implica custos para a economia. É raro ter uma contração global aguda e sincronizada, e ninguém sabe medir a profundidade disso”, afirma Padovani.

O economista afirma que o maior risco para as projeções é a manutenção do cenário de restrições por um período maior, o que poderá comprometer o caixa das empresas e levar a uma crise de crédito. Por isso, as ações dos governos brasileiros e dos EUA para combater o problema são bem-vindas. Ele destaca ainda a necessidade de ações que beneficiem a população que vive do trabalho informal.

“Faz sentido ter políticas de transferência de renda para atenuar o impacto sobre a renda dessas pessoas. A outra linha de ação dos governos é no crédito corporativo, com recompra de papéis privados, como nos EUA. O Brasil também atuou na direção correta ao mudar algumas regulações para os bancos, permitir atraso de pagamentos, atenuar regras de provisionamento, mudar exigibilidade de capital, liberar compulsórios. É muito fácil sair de uma situação como a de hoje e isso virar uma crise de crédito.”

O economista do Santander Maurício Oreng diz que o banco também faz suas projeções considerando uma normalização da situação no Brasil ainda no segundo trimestre. “Se os desdobramentos continuarem graves, não aparecer um mecanismo que controle a propagação, vamos ter de revisitar nosso cenário.” As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

 

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