Convém recordar e fazer uma avaliação pessoal, bem entendido, dos acontecimentos que ainda repercutem intensamente: o candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, desnorteou o grupo de jornalistas que o entrevistou e que, durante todo o programa, tentou encurralá-lo no canal Globonews na última sexta-feira.
O xeque-mate foi dado por Bolsonaro quando lembrou que a Rede Globo apoiou o regime militar instaurado em 31 de março de 1964, pela manifestação de seu proprietário, o jornalista Roberto Marinho. A partir daí, seguiram-se nos bastidores os momentos mais patéticos da história recente do telejornalismo brasileiro.
Apoio de Roberto Marinho
Bolsonaro desconcertou seus entrevistadores, que tentaram em diversos momentos vinculá-lo a regimes ditatoriais – de direita, naturalmente – quando deu o golpe fatal ao dizer que “eu quero aqui elogiar, saudar a memória do senhor Roberto Marinho”. E citou editorial de capa do jornal “O Globo” de 7 de outubro de 1984: “Senhor Roberto Marinho: ‘Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas ameaçadas pela radicalização ideológica, distúrbios sociais, greves e corrupção generalizada”.
Resposta feita às pressas
A declaração provocou uma reação da Globo. Essa manifestação inesperada fez com que o programa com Bolsonaro tivesse um desfecho bem diferente dos anteriores. Ao final da entrevista, a jornalista Miriam Leitão teve que ler às pressas, e de forma improvisada, um editorial preparado pela direção da casa.
Pânico nos bastidores
O pânico causado nos bastidores foi tão grande que mobilizou o poderoso diretor-geral da Globo, Carlos Henrique Schroeder, filho do querido e saudoso amigo Carlinhos Schroeder, ex-prefeito de Santo Ângelo. Foi produzido às pressas uma mensagem que era para ter sido lida por meio de um TP (teleprompter, equipamento localizado entre o apresentador e a câmera).
Miriam Leitão “psicografando”?
O nervosismo foi tão grande que o TP falhou. A saída foi ditar o texto para a jornalista através de um ponto eletrônico – aquele fone de ouvido sem fio que permite ouvir as instruções da direção do programa. Assim, Miriam passou a ouvir e ditar cada uma das frases do editorial da Rede Globo e repetiu tudo no ar, ao vivo, de maneira pausada. A cena foi patética. Dava a impressão de estar recebendo uma mensagem psicografada do saudoso doutor Roberto Marinho. O detalhe é que ele faleceu em 2003, sem nunca ter desmentido ou reavaliado o apoio da Rede Globo à Revolução de 1964. Foi, sem dúvida, um momento patético e constrangedor do telejornalismo brasileiro.
General Mourão é o vice
Ontem, o PRTB, partido ao qual está filiado o general Hamilton Mourão, ex-comandante militar do Sul, aceitou coligar-se com o PSL de Bolsonaro. General da reserva e presidente do Clube Militar, ele confirmou ter aceitado o convite para ser candidato a vice.
Candidatos hoje no Estado
Ao lado do general Mourão, Bolsonaro estará hoje no Estado. Ao meio-dia, fará uma palestra na associação Comercial de Caxias do Sul e às 18h participa do evento “A Voz do Campo” em Gramado.
