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Os casos de sífilis em recém-nascidos triplicam no País

Registros de sífilis em recém-nascidos pularam de 5 mil para 16 mil em seis anos. (Foto: Caio Guatelli/Folha Imagem)

Uma doença tão silenciosa quanto perigosa se espalha pelo País, preocupando médicos e autoridades que tentam superar a escassez do antibiótico mais usado no seu tratamento. Um relatório interno assinado pelo diretor do Departamento de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis), Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, detalhou a escalada dos casos de sífilis em gestantes e em recém-nascidos desde 2008, prevendo um recrudescimento do problema.

Mesquita recomendou a aquisição urgente de penicilina cristalina. Usado para tratar bebês que foram infectados no útero, o medicamento está em falta no Brasil.

Considerada uma doença silenciosa por não apresentar sintomas graves em seus estágios iniciais, a sífilis pode levar a problemas cardíacos, meningite e até à loucura. Se contraída por mulheres grávidas, a bactéria treponema pallidum, responsável pela sífilis, pode causar nos bebês malformações (como a microcefalia), cegueira e deficiência mental. Os casos graves levam à morte. Daí a importância de exames pré-natais para detectar a doença na fase primária, impedindo o contágio da mãe para o filho. O tempo de exposição à bactéria é determinante.

A nota do Ministério da Saúde reúne estatísticas para expor o avanço da sífilis em gestantes e da doença em recém-nascidos, chamada de sífilis congênita. Em 2008, o número de grávidas infectadas não chegou a 10 mil. Já em 2013, houve 21.382 ocorrências (7,4 casos para cada 1 mil nascidos vivos). No ano seguinte, dados preliminares dão conta de 28.226 diagnósticos, ou cerca de 9,7 para cada 1 mil nascidos vivos.

O avanço da doença em recém-nascidos também assusta. Em 2008, foram pouco mais de 5 mil registros em bebês com menos de 1 ano. Em 2013, foram 13.704 mil casos (4,7 para cada 1 mil nascidos vivos), e, no ano seguinte, houve 16.266 ocorrências (5,6 para cada 1 mil nascidos vivos). É um crescimento de mais de três vezes em seis anos. Segundo a nota informativa, a previsão é de mais de 22 mil novos casos de sífilis congênita em 2016. (AG)

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