Os crimes de corrupção na Argentina foram declarados na quarta-feira (29) como imprescritíveis pela Câmara de Cassação Penal, a mais alta instância judicial antes da Suprema Corte de Justiça. A sentença, emitida pelo Centro de Informação Judicial, foi decidida em um caso dos anos 1990 envolvendo executivos da multinacional IBM e ex-funcionários da Direção-Geral de Impostos pela compra de equipamentos superfaturados de US$ 120 milhões. Esse processo judicial foi declarado prescrito em 2016. Mas a Câmara de Cassação Penal determinou agora que “a prescrição do caso não é constitucionalmente possível e que o julgamento deve ser realizado com urgência”.
A Argentina está abalada por vários escândalos de corrupção, o mais recente deles conhecido como “Escândalo dos cadernos”, um esquema de subornos que atinge a ex-presidente e atual senadora Cristina Kirchner, vários de seus colaboradores e muitos empresários do setor da construção. Por esse caso, Kirchner já participou de um interrogatório. Além disso, suas residências em Buenos Aires, Río Gallegos e El Calafate foram revistadas na semana passada.
Peso
O peso argentino desmoronou 7,62% na quarta-feira (29), para um novo recorde de baixa, diante da falta de credibilidade economia da Argentina e temores dos investidores sobre a capacidade do país em pagar sua dívida. Segundo a agência Reuters, a moeda caiu para o piso mínimo de 33,90 por dólar.
A Argentina acertou com o FMI (Fundo Monetário Internacional) a antecipação de recursos para garantir o financiamento necessário para o próximo ano. O paíis busca superar a situação turbulenta pela qual os mercados estão passando, disse o presidente Mauricio Macri na quarta-feira.
O FMI informou que vai trabalhar com a Argentina para fortalecer seu programa de financiamento depois de uma piora inesperada das condições de mercado e vai tentar concluir rapidamente as conversas com autoridades do país, disse a chefe do FMI, Christine Lagarde, na quarta-feira.
Operadores concordaram que este anúncio não se traduziu em calmaria como previsto pelo governo, e o volume negociado no mercado cambial foi relevante, o que se somou ao elevado desempenho na última sexta-feira em negócios futuros.
Ainda de acordo com a Reuters, a desvalorização desta quarta-feira foi a segunda maior da era Macri, que uma semana depois de assumir o cargo em dezembro de 2015 liberou o mercado de câmbio e o peso caiu quase 30% em um único dia.
A situação da Argentina, a terceira maior economia da América Latina, segue causando preocupações no mercado à medida em que o país se esforça para se libertar de seu notório ciclo de crises financeiras de uma década. O mais recente, pontuado por um calote da dívida de 2002, jogou milhões de argentinos da classe média na pobreza. Há temores de que a Argentina, que tem elevada inflação, economia fraca e sofre as consequências de um uma venda global nos mercados emergentes, possa não cumprir com suas obrigações de dívida.
