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As declarações do economista Paulo Guedes, assessor de Bolsonaro, fragilizam a campanha do presidenciável

"Guru" do candidato do PSL cogitou volta da CPMF. (Foto: Reprodução)

O economista Paulo Guedes abriu uma pequena fenda na blindagem que ele mesmo havia aplicado na candidatura de Jair Bolsonaro. Ele foi responsável por afastar temores sobre o programa do presidenciável do PSL, mas criou um flanco para ataques de rivais ao gerar dúvidas sobre seus planos de cobrança de impostos e tributos – área sempre sensível, ainda mais em uma campanha presidencial.

De garoto-propaganda exibido com orgulho pelo cabeça-de-chapa, Guedes foi colocado na geladeira. A pedido de Bolsonaro, cancelou participações em eventos com investidores para proteger a candidatura do presidenciável de polêmicas até a eleição.

A origem do curto-circuito foi a declaração do economista, em reunião reservada, de que pretendia substituir uma série de tributos por uma contribuição sobre movimentações financeiras, semelhante à impopular CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), cobrada pelo governo federal no período entre 1997 e 2007.

A divulgação da proposta obrigou Jair Bolsonaro a desautorizar publicamente qualquer ideia de criação de novos tributos. Voando em céu de brigadeiro, a candidatura do líder nas pesquisas foi levada à defensiva e precisou se explicar repetidamente.

“Isso é uma distorção, ele apenas está estudando alternativas. Tudo terá de passar pelo meu crivo”, garantiu o candidato do PSL em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” nessa sexta-feira. Ele garantiu que Guedes continua na campanha e creditou o problema à “falta de experiência política” do economista, além de “deturpações feitas pela mídia”.

Ao impor uma lei do silêncio a Guedes, a campanha de Bolsonaro perde a oportunidade de esclarecer qual é seu plano e até de discutir publicamente mudanças que poderiam conter eventuais injustiças – como martelam agora seus competidores.

Abafar a polêmica é uma alternativa perigosa, já que esconde planos que Bolsonaro pode ser obrigado a implantar se vencer a eleição. Como se explicará aos eleitores se, de fato, uma nova contribuição nos moldes da CPMF for criada em seu governo?

Quem gostou da polêmica foram seus rivais, que passaram a explorar a sigla CPMF para atacar Bolsonaro. Em pouco mais de 24 horas, Geraldo Alckmin (PSDB) levou à TV um ataque pesado, em que dizia que “pobre vai pagar mais imposto” se o adversário for eleito.

Confusão

Mal explicado, o plano fica exposto a novos golpes. Em 2014, a então postulante ao Palácio do Planalto pelo PSB, Marina Silva (hoje na Rede), foi bombardeada ao propor a autonomia do BC (Banco Central).

A ideia era complexa, mas a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) exibiu uma propaganda que dizia que o projeto tiraria comida da mesa dos trabalhadores. Coincidência ou não, o fato é que a partir dali Marina despencaria nas pesquisas de intenções de voto e ficaria de fora do segundo turno, disputado por Dilma e Aécio Neves (PSDB).

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