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Os Estados Unidos e a China culpam um ao outro pelo surgimento do coronavírus

As duas maiores economias do mundo estão presas em uma armadilha criada por elas próprias. (Foto: Reprodução)

A tensão entre os Estados Unidos e a China em meio à pandemia do novo coronavírus aumentou. As autoridades de Pequim protestaram depois de o presidente americano, Donald Trump, descrever a doença como um vírus chinês.

Trump, no entanto, manteve sua posição e reclamou que a China tem feito acusações de que militares dos EUA levaram a doença para o país asiático.

O presidente americano usou o termo em uma rede social. “Os Estados Unidos apoiarão fortemente as indústrias, como companhias aéreas e outras, que são particularmente afetadas pelo vírus chinês”, escreveu, na noite de segunda (16).

Em ocasiões recentes, membros do governo Trump também se referiram à pandemia como “coronavírus chinês” ou “vírus de Wuhan”, a cidade que foi o epicentro inicial da epidemia.

Após o tuíte, Pequim reagiu. Os Estados Unidos devem “cessar imediatamente suas acusações injustificadas contra a China”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang.

A agência estatal de notícias Xinhua afirmou que usar “termos racistas e xenófobos para culpar outros países pelo surto revela a irresponsabilidade e incompetência dos políticos, que apenas intensificam o medo do vírus”.

Questionado sobre as críticas da China em uma entrevista coletiva na tarde de terça, Trump reafirmou sua posição. “Veio da China. Creio que este nome [chinês] é muito preciso.”

“A China espalha informações erradas de que nossos militares lhes transmitiram o vírus. Eu não gostei desse fato. Nossos militares não passaram nada a ninguém. Em vez de entrar na polêmica, disse: vou chamá-lo usando o país de onde veio”, disse Trump.

Nos últimos dias, diversas autoridades chinesas divulgaram teorias sobre uma suposta conspiração e apontaram que o coronavírus foi levado à China por militares dos EUA.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, sugeriu na semana passada, em uma rede social, que o “paciente zero” da pandemia pode ter vindo dos Estados Unidos, mas não apresentou evidências.

Zhao republicou um vídeo no qual Robert Redfield, diretor do Centro de Controle de Doenças dos EUA, diz que algumas mortes atribuídas à gripe comum podem ter sido causadas pelo coronavírus.

“Quando o paciente zero foi registrado nos EUA? Pode ter sido o Exército dos EUA que trouxe a epidemia para Wuhan. Tornem pública essa data. Os EUA nos devem uma explicação”, escreveu Zhao.

Após as postagens de Zhao, a teoria passou a ser debatida na internet chinesa, onde os temas são controlados pelo governo. O assunto foi citado ao menos 160 milhões de vezes na rede social Weibo.

Em outubro, militares americanos foram a Wuhan para os Jogos Mundiais Militares. Os EUA disseram que os competidores americanos não tiveram sintomas da doença.

Na sexta-feira (13), o Departamento de Estado convocou o embaixador chinês nos Estados Unidos, Cui Tiankai, para pedir explicações sobre as teorias da conspiração espalhadas por autoridades de Pequim.

Oficialmente, a China mantém reserva sobre a natureza do vírus e diz que sua origem é desconhecida.

O novo coronavírus foi detectado pela primeira vez na China em dezembro de 2019. As autoridades disseram que ele apareceu na região de um mercado onde são vendidos animais vivos.

Estudos preliminares apontam que o vírus infectou morcegos, depois uma espécie de mamífero e, por fim, chegou aos humanos.

Os profissionais da saúde preferem não adotar nomes geográficos e usam nomes neutros para se referir à doença.

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