Estudantes estrangeiros deverão deixar os Estados Unidos se forem alunos de universidades ou outras instituições educacionais que não oferecerem aulas presenciais no semestre letivo que começa em setembro. Alunos matriculados em programas acadêmicos ou profissionalizantes que oferecerem apenas aulas on-line não poderão ficar no país, sob pena de terem seus vistos revogados e serem expulsos, de acordo com uma decisão anunciada pela Agência de Imigração e Alfândega americana (ICE, na sigla em inglês) nesta segunda-feira (6).
No semestre passado, por causa da pandemia do novo coronavírus, os alunos estrangeiros puderam prosseguir seus cursos de forma totalmente não presencial, mas essa norma foi modificada para o início do novo ano letivo, que nos EUA ocorre em setembro.
Não ficou claro quantos portadores de visto de estudante serão afetados pela mudança, mas os alunos estrangeiros são uma fonte importante de receita para muitas universidades dos Estados Unidos, pois costumam pagar a mensalidade integral.
A agência comunicou que não permitirá que os detentores de visto de estudante permaneçam no país se a instituição em que estudam estiver totalmente on-line em setembro. Esses estudantes têm a opção de se matricularem em outra escola.
Faculdades e universidades começaram a anunciar planos para o segundo semestre de 2020 em um cenário no qual a pandemia nos Estados Unidos está longe de acabar, com recordes no registro diário de novas infecções.
A orientação da Agência de Imigração e Alfândega se aplica aos portadores dos vistos F-1 e M-1, destinados a estudantes de cursos acadêmicos e programas técnicos e profissionalizantes, respectivamente. O Departamento de Estado emitiu 388.839 vistos F e 9.518 M no ano fiscal de 2019, de acordo com os dados da agência.
A decisão não afetará os estudantes com visto F-1 matriculados em programas híbridos, com aulas presenciais e on-line, desde que a universidade ateste individualmente que os cursos necessários para a obtenção dos créditos não são totalmente remotos. Essa exceção não se aplicará aos estudantes com vistos F-1 matriculados em cursos de língua inglesa nem aos alunos com visto M-1, que não poderão frequentar nenhuma aula on-line.
A Universidade Harvard informou nesta segunda que todas as aulas do próximo semestre serão ministradas on-line, mesmo com a permissão para que alguns alunos retornem ao campus, com a condição de que realizem testes para a Covid-19 a cada três dias. Já a Universidade de Nova York fará uma mescla de aulas presenciais e on-line. Yale comunicou que oferecerá a maior parte dos cursos de forma remota, ainda que permitindo o retorno dos alunos ao campus. A Universidade da Califórnia oferecerá até 20% dos cursos presencialmente e estipulou uma série de medidas de comportamento para os alunos nas instalações.
A mudança ocorre em meio a uma gradual diminuição no número das matrículas de estudantes estrangeiros nas universidades americanas, depois do ponto alto atingido no ano letivo 2015-2016, de acordo com o Instituto de Educação Internacional. As matrículas internacionais caem em todas as categorias (graduação, pós-graduação e profissionalizante), com 269.383 estrangeiros matriculados no ano letivo de 2018-2019, contra 300.743 alunos em 2015-2016. De acordo com o Departamento de Comércio, estudantes estrangeiros contribuíram com US$ 45 bilhões para a economia dos EUA em 2018.
Em junho, o governo suspendeu os vistos de trabalho para uma grande quantidade de trabalhadores não migrantes que, segundo ele, competiam com cidadãos dos EUA por empregos. O governo também suspendeu a admissão de requerentes de asilo na fronteira com o México, citando os riscos à saúde relacionados ao coronavírus como justificativa.
