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Os irmãos Joesley e Wesley Batista desconfiam que podem ter sido traídos por seu executivo, Ricardo Saud

Na ação, é destacado que Wesley e Joesley Batista "eram CEO e chairman da JBS e estão atualmente presos devido a uma década de crimes em benefício da JBS. (Foto: Reprodução)

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, desconfiam que o executivo Ricardo Saud possa fornecer informações privilegiadas sobre o grupo ao MPF (Ministério Público Federal). Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, a traição pode acontecer se a negociação dos empresários com o MPF, para preservar benefícios que obtiveram no acordo de delação premiada, fracassar.

Tais informações estão relacionadas a discussões internas que envolveram a colaboração do executivo no grupo. A desconfiança não é de hoje: já nas primeiras conversas sobre a possibilidade de colaboração com a Justiça, o advogado da J&F, Francisco de Assis, teria alertado os empresários que Saud “estava pronto para delatar Joesley”.

A afirmação foi revelada pelo advogado durante depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República). A primeira suspeita teria surgido em fevereiro, quando começaram a falar sobre delação e Saud “já trouxe tudo pronto (…) toda a documentação, inclusive com bilhetes”, disse Assis.

Executivo de confiança dos irmãos Batista, a fama de Saud é de “língua solta”, segundo a colunista da Folha. O profissional teria chegado a se afastar da empresa após desentendimentos com colegas e costumava falar mal do chefe com diversas pessoas, as mesmas que depois acabou por delatar.

Calados

Apesar das preocupações dos irmãos Batista, na tarde desta quinta-feira (14), durante interrogatório da Polícia Federal em sua superintendência, tanto Joesley  quanto Ricardo Saud, executivo do grupo, decidiram ficar calados 

Os dois tiveram a prisão temporária (por cinco dias) decretada na semana passada pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal). O prazo da prisão temporária termina nesta quinta. A decisão sobre um eventual pedido de prorrogação será tomada por Fachin.

Mas mesmo que a temporária não seja prorrogada, Joesley Batista continuará preso em razão de uma decisão da Justiça Federal de São Paulo, que decretou a prisão preventiva (sem prazo determinado) do empresário em uma investigação sobre uso de informações privilegiadas para obter lucro indevidamente no mercado financeiro. Nessa hipótese, ele será transferido para São Paulo pela PF. No caso de Saud, se não houver a prorrogação da prisão, ele será libertado.

A Polícia Federal pretendia ouvir os dois no inquérito instaurado por determinação da ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, para apurar a veracidade do conteúdo de conversa gravada entre dois em que mencionam ministros do Supremo.

O advogado de Joesley e Saud, Antonio Carlos Castro Machado, o Kakay, afirmou que eles ficaram calados em razão da iminência de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir a retirada dos benefícios do acordo de delação premiada.

Pelo acordo, os dois, delatores da Operação Lava Jato, ganhariam imunidade, isto é, a garantia de que, em troca das informações que forneceram, não seriam presos.  (Folhapress/AG)

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