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Os irmãos Uesleis safadões ou “a culpa só pode ser do Chimbinha”

Me faz mal ver os irmãos da JBS com ar de “heróis” da nacionalidade. (Foto: Reprodução)

Sempre fui crítico das delações, justamente porque eram “premiadas” e porque, acerca dessa premiação, não havia fiscalização. Sim, há homologação. Mas qual das homologações já alterou alguma proposta do MPF em algum item relevante?

O auge das premiações chegou com os irmãos Wesley e Joesley, que resolveram dar um segundo golpe (agora no governo Temer), já que o golpe deles já iniciara no governo Lula. Enricaram tanto que acabaram se atrapalhando com tanto dinheiro. Investigados e diante da possibilidade de serem presos (isso não está claro), resolveram dar o golpe nas instituições. Resolveram estroinar com o país. Zonar com a malta.

Um dos irmãos arma uma arapuca para o presidente da República. Grava a conversa. Os dois irmãos levam a gravação ao ministério público federal. Fazem um acordo – pelo qual seus crimes (inúmeros) foram “anistiados” e obtiveram permissão para morar na Disneylândia – e tudo isso é levado ao STF, onde obtiveram a homologação. Ainda não se sabe se a tal fita foi editada ou não. Isso ainda vai dar muito pano pra manga.

Resultado: alguém vazou partes das fitas e o país (quase?) quebrou. A Bolsa de São Paulo perdeu R$ 219 bilhões naquela semana. O dólar explodiu. Detalhe: “Ueslei” e “Jueslei”, espertamente, compraram US$ 1 bilhão na baixa e, diante da hecatombe que eles mesmos provocaram, venderam na alta. Bingo. Com isso, pagaram a multa que lhes foi imposta no acordo de delação premiadíssima.

Pindorama é assim: perseguimos o maconheiro infrator e anistiamos os sonegadores e corruptores confessos. Jogamos os maconheiros infratores nas masmorras e permitimos que os sonegadores-corruptores confessos morem livres, leves e ricos em Nova Iorque.

Vendo tudo isso, lembro do famoso caso Riggs v. Palmer, de 1895, julgado coincidentemente em Nova Iorque, nova terra dos irmãos Uesleis Safadões. Elmer, o neto, mata o avô para receber mais cedo a sua herança que lhe fora testada. E o caso foi a julgamento. Para receber a herança, Elmer alegou que não havia nenhuma lei que previsse seu ato. A lei punia o assassinato, mas não proibia que ele fosse um assassino rico. Só que o Tribunal ferrou Elmer, dizendo: ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza.

Pois os Irmãos Uesleis “mataram o avô brasileiro” (dinheiro da Viúva – leia-se BNDES) e, ao contrário do que ocorreu nos EUA, aqui foram absolvidos. E ficaram com a “herança”. Bingo. Pindorama dando lições de direito para o mundo. O Nobel é nosso. Vamos todos para Estocolmo. A pé.

O chocante é que os irmãos Uesleis Safadões abriram o bocão atirando para tudo o que é lado, com pérolas como “comprei três deputados pagando cinco milhões para cada um, mas não lembro o nome deles”. Uau. E ninguém perguntou ao delator-premiadíssimo como foi feito esse pagamento, se foi em cash, mandaram por motoboy ou retiraram do caixa eletrônico. Adorei também a bazófia sobre financiamento de campanhas: foram 1.827 candidatos de 28 partidos. Só na última eleição. Algo em torno de R$ 600 milhões. E não lhes foi perguntado o modus operandi. Tinha tabela? Como era feito isso? Contas no exterior: falaram muito nisso também. E ninguém lhes perguntou: qual é o número e o país? Onde estão os recibos? Ou isso não existe? Mas, se existe, como a investigação não descobriu? E se tivesse já descoberto, por que necessitaria de delação? Quer dizer que os Uesleis compram 3 deputados e não sabem o nome deles? Mas lembram que foram 1827 candidatos (dos quais também não lembram dos nomes)?

Hum, hum. Quando ouvi que tinha um Ueslei no meio dessa história, logo pensei que ali tinha coisa de dupla neosertaneja. O diálogo na verdade continha uma terceira figura: Gustavo Lima. Ou aquela loira rechonchudinha que canta o hit dos 50 reais. Imagino o resto do diálogo dos Uesleis, um delatando o outro. “- Foi você quem matou o avô para ficar com herança”.” “- Não, foi você”. E no final, como é no Brasil, todos se dão bem. Na verdade, tudo indica que o culpado é o Chimbinha. Depois que ele separou da Joelma, tudo começou a dar errado.

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