A batalha pela votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que terminou com a vitória do governo e um relatório alternativo de Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) pelo arquivamento da ação no plenário, detonou uma guerra pela redistribuição dos cargos da Esplanada dos Ministérios. Tudo para pagar a conta da fidelidade. O resultado também ampliou o racha dos tucanos sobre a permanência na base do governo.
Líderes do centrão partiram para o ataque e agora cobram de Michel Temer um ultimato ao PSDB para que assuma uma posição definitiva: ficar no governo ou abandoná-lo de vez. De olho em uma possível reforma ministerial quando, e se, passar a votação de todas as denúncias da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Temer, esses líderes querem espaço na Esplanada proporcional ao desgaste dos partidos que já assumiram e assumirão a linha de frente para rejeitar as denúncias na Câmara dos Deputados.
A birra desses partidos, que foram os que garantiram ao presidente a vitória na CCJ, é que, enquanto alguns deputados sofrem o desgaste de votar contra a denúncia de Temer, os tucanos se dão ao luxo de fazer discurso contra o governo, enquanto mantêm quatro ministérios. Na CCJ, apenas dois, dos sete tucanos que integram a comissão, votaram para rejeitar a denúncia.
“O PSDB que faça sua DR, se resolva e diga se fica ou se não fica. Tem gerado uma insatisfação muito grande em partidos como PR, PSD e o próprio PRB, que avalia fechar questão, e o PSDB fazendo discurso contra. O espaço no governo tem que ser proporcional ao número de votos. Não dá para ter um partido com quatro ministérios e metade de seus deputados votando contra o governo. Se essa situação continuar, a tendência é perder apoios em outros partidos”, reclama o deputado Beto Mansur (PRB-SP).
O líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), afirma que cabe a Temer decidir sobre os espaços no governo, mas mantém que é majoritária, na bancada tucana, a posição de que as acusações contra o presidente devem ser investigadas. Ele voltou a defender que o partido abandone os cargos.
