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Os pecuaristas agora só querem vender à vista suas carnes para a JBS/Friboi

As vendas de gado para os frigoríficos da JBS começaram a diminuir. (Foto: Reprodução)

O escândalo gerado pelas delações dos empresários Joesley Batista e Wesley Batista, proprietários da JBS, companhia que possui no Brasil 36 unidades de abate de bovinos, gerou um clima de apreensão e especulação entre os pecuaristas. Muitos se negaram a fechar novos negócios com a empresa ou não entregaram o gado que já havia sido vendido antecipadamente, com o objetivo de vender para outros frigoríficos. Especialistas do setor aconselham o criador, neste momento, a ter cautela.

Em todas as praças brasileiras, as vendas estavam mais lentas que o usual. As vendas de gado para os frigoríficos da JBS começaram a diminuir após o jornal O Globo divulgar que Joesley e Wesley Batista estavam envolvidos em um esquema de delação premiada que envolvia o Presidente da República Michel Temer, o presidente do PSDB, Aécio Neves, e outros políticos. A denúncia ainda levou ao conhecimento público vídeos e áudios que teriam sido feitos pelo empresário durante o pagamento de propina e encontros com o presidente.

Grande parte dos pecuaristas brasileiros estão receosos em vender gado para as unidades da JBS, com medo de sofrer calote. A JBS tem 36 unidade de abates espalhadas pelo Brasil, com capacidade de abater 45 mil cabeças de gado por dia. No ano passado, de acordo com relatório da empresa, foram abatidos 2,2 milhões de cabeças durante o ano e, desse volume, 15,0% vem de “boi a termo”, tipo de negociação antecipada.

O medo – disseminado pelas redes sociais e pelos aplicativos de mensagens instantâneas no smartphone – reflete no fato de a JBS concentrar frigoríficos em todo o País. Uma das estratégias da empresa, ao longo dos anos, foi comprar empresas do setor, deixando poucas opções de negociação para quem quer vender. “É uma concentração dos frigoríficos deles em todas as regiões”, disse. (AG)

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