Em meio a notícias de que há um racha pelo comando nacional do seu partido, o PSL, o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro negou que exista uma disputa interna dentro da sigla.
A declaração ocorreu após reportagens na imprensa mencionarem brigas dentro do PSL: apoiadores de Bolsonaro estariam descontentes com a atuação do presidente do partido, Gustavo Bebianno, e do vice, Julian Lemos, que teriam grande influência sobre o presidenciável. As supostas desavenças foram publicadas em um grupo de rede social.
As desavenças dentro do PSL se arrastam há alguns meses. Bebianno assumiu a presidência do PSL quando Bolsonaro se filiou ao partido, com a promessa de que ficaria no comando da sigla até o fim do ano. Como parte do acordo, o antigo comandante da agremiação, Luciano Bivar, está licenciado e não acompanhou a caravana pelo Oeste paulista.
Bolsonaro isentou Bebianno, a quem chamou de “quase-irmão”, e disse que essa é mais uma tentativa de atacar sua candidatura: “Nosso partido é pequeno, não tem problema. Vasculharam a minha vida toda em 50 anos e não acharam nada, mas agora querem botar pessoas do comando da legenda contra mim. Não vão conseguir”.
Os conflitos internos do PSL se tornaram públicos com a divulgação de um texto em grupos de WhatsApp. A mensagem, que se referia a Bebianno e ao vice nacional do PSL, Julian Lemos, dizia: “Bandidos tomaram de assalto o partido do Capitão e hoje colocam em risco a candidatura do próximo presidente do Brasil.”
Em seguida, foi compartilhado um áudio de Bebianno enviado a um dos supostos autores das mensagens. Nele, o presidente do PSL, irritado, pedia explicações sobre o conteúdo das mensagens e ameaçava de processo o autor do texto, um morador de Serra Talhada (PE).
Neste sábado, Bebianno confirmou o conteúdo do áudio e disse que foi uma reação diante das acusações que recebeu. O presidente do PSL apresentou uma queixa-crime contra o homem que ele acusa de ser o autor das mensagens: “Eu venho sendo alvo há algum tempo de fofoca, grupinhos de WhatsApp, mensagens sem credibilidade”.
O presidente do PSL, que participa pela primeira vez de uma campanha, criticou o meio político, segundo ele, “um ambiente esquizofrênico que reúne muita gente boa, mas reúne também uma quantidade de loucos significativo.”
Ainda segundo ele, os ataques que sofre vem de pessoas que gostariam de estar próximo de Bolsonaro. Disse ainda que há grupos, os quais classificou de “ovos podres dentro cesto que contaminam outro”, que fazem lobby e até arrecadam dinheiro em nome de Bolsonaro;
Presente a um comício do presidenciável no último sábado, a candidata a deputada estadual pelo PSL Janaína Paschoal (que chegou a ser cotada para concorrer a vice na chapa) se manifestou: “Vamos nos unir! Quem está do mesmo lado precisa de cabeça no lugar para aguentar as pancadas. Se a gente ficar brigando internamente o lado de fora vai ganhar”.
A passagem de Janaína pela campanha de Bolsonaro rendeu mais uma divergência entre os dois. Questionada sobre a declaração de Bolsonaro que criticou o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), ela respondeu: “Eu adoro o ECA”.
Em outras oportunidades, ela já pediu moderação aos seguidores do candidato. A advogada é favorável às cotas para negros e contrária à redução da maioridade penal. Apesar disso, defende que as discordâncias sejam deixadas de lado para eleger Bolsonaro.
Alckmin
Bolsonaro e o ex-governador paulista e agora presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) cumpriram agenda pública na mesma região, a cerca de 150 quilômetros de distância um do outro. Em visita a Ribeirão Preto (SP), o tucano declarou que não dá para resolver com violência os problemas do Brasil.
Questionado sobre o avanço do concorrente Jair Bolsonaro no Oeste do Estado, ele adotou um discurso moderado. “Em política, a gente não obriga, a gente conquista”, frisou. “Não vamos resolver nada à bala, mas com eficiência, competitividade, reformas que o Brasil precisa.”
Segundo a última pesquisa Ibope, Bolsonaro está à frente de Alckmin no Estado de São Paulo, governador pelo PSDB nos últimos 24 anos. Em um cenário sem o ex-presidente Lula e que leva em conta apenas os eleitores paulistas, Bolsonaro registra 22% e Alckmin 15%.
Ciro
O candidato do PDT, Ciro Gomes, também demonstrou cautela. Ele ressaltou que, para não parecer arrogante, tem evitado o confronto direto em debates com Bolsonaro, a quem considera despreparado.
Ao comentar a divisão do tempo de propaganda eleitoral na TV, Ciro brincou ao dizer que “dá para dormir” durante os seis minutos destinados a Alckmin.
