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Política Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado ainda têm quase um ano de mandato à frente das Casas, mas as suas sucessões têm dominado as negociações políticas no Congresso

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Eleição de novos presidentes para Câmara e Senado só acontece em 2025, mas movimentações já começaram. (Foto: EBC)

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ainda têm quase um ano de mandato à frente das Casas. As sucessões, no entanto, têm dominado cada vez mais as negociações políticas no Congresso.

Parlamentares avaliam que, na abertura do ano Legislativo, Lira trouxe à tona essa movimentação que já ocorria nos bastidores, desde 2023, mirando o comando da Câmara e do Senado a partir de 2025.

Deputados avaliam que, embora tenha tentado afastar as interferências dessas disputas no trabalho do parlamento, Lira acabou reforçando o “peso” que as eleições internas terão ao longo deste ano.

Disputa na Câmara

O cenário da sucessão de Arthur Lira tem nomes apontados como favoritos desde que o deputado foi reeleito para o cargo em 2023.

Aliado de primeira hora de Lira, o líder do União Brasil na Casa, deputado Elmar Nascimento (BA), é um dos mais mencionados entre os pares.

Apesar de não comentar a candidatura publicamente, deputados afirmam que Elmar tem articulado uma pré-campanha silenciosa. Um dos movimentos mais recentes foi o convite a colegas para participar do Carnaval em Salvador (BA). Lira estava entre os presentes.

Mesmo com a movimentação, a candidatura de Elmar ainda não é bem recebida por aliados do governo Lula. As críticas do deputado à gestão petista do governo da Bahia surgem como o principal fator. Em dezembro de 2022, o deputado chegou a ser vetado por petistas de assumir o comando de um ministério no terceiro mandato do petista.

Para deputados, o histórico de Elmar com o PT e a proximidade com Lira podem ajudar a inflar as possíveis candidaturas do líder do PSD na Casa, Antonio Brito (BA), e do vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP).

Nos últimos dias, outros nomes têm se colocado na disputa, como o líder do MDB, Isnaldo Bulhões (AL). Segundo o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), a ideia é que o partido tenha um candidato próprio à sucessão de Lira.

A oposição tem defendido o lançamento de um candidato próprio. Ganha força entre o grupo o nome do líder do PL, deputado Altineu Côrtes (RJ).

Em janeiro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a sigla lançaria uma candidatura de “qualquer jeito”.

Segundo o líder do grupo na Casa, deputado Carlos Jordy (PL-RJ), apesar de querer um candidato próprio, a oposição pode se aliar a uma candidatura que tenha “compromisso com as pautas de defesa e resgate das prerrogativas parlamentares e da defesa da liberdade”.

“Não faremos mais acordos por espaços em comissões. Lira quer fazer seu sucessor, mas há diversos nomes na briga, inclusive o governo quer ter seu próprio candidato, que não será o Lira”, disse Jordy.

A consolidação dos nomes, de acordo com lideranças, deve passar, porém, por uma disputa prevista para março deste ano: os comandos das comissões permanentes, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Sucessão de Pacheco

No Senado, líderes afirmam que há um favoritismo em torno de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele presidiu a Casa entre 2019 e 2021, e foi o principal fiador das duas eleições de Pacheco, em 2021 e 2023.

Na reeleição de Pacheco, senadores chegaram a avaliar que o atual presidente do Senado era “muito próximo” de Alcolumbre e sinalizaram interferências do principal cabo eleitoral de Pacheco em suas decisões.

Alcolumbre reúne apoios entre a base aliada ao governo e senadores de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, ele atendeu a pleitos dos dois grupos.

Em 2023, o senador participou de conversas com Lula e atuou para desobstruir a indicação de Flávio Dino ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também deu, por exemplo, celeridade à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restringe decisões monocráticas de ministros da Corte.

Nos últimos meses, o presidente da CCJ abandonou o silêncio em torno da possível candidatura e passou a dizer publicamente que está disposto a participar da disputa, desde que com o apoio de senadores.

A oposição defende o lançamento de um nome próprio, como o do líder do grupo, senador Rogério Marinho (PL-RN). Ele disputou a presidência da Casa em 2023 contra Rodrigo Pacheco. Marinho conquistou 32 votos, ante 49 de Pacheco.

Outros nomes surgem em duas das maiores bancadas da Casa — o MDB, que tem 11 senadores; e o PSD, com 15.

Membros do PSD afirmam que a senadora Eliziane Gama (MA) tem indicado o desejo de se colocar como candidata à sucessão de Pacheco em 2025. Em algumas oportunidades, Eliziane defendeu a eleição de uma mulher para a presidência da Casa.

Alas do MDB defendem o lançamento de um nome próprio. As negociações no Senado, segundo o presidente da sigla, têm sido capitaneadas por Eduardo Braga (AM).

Um dos nomes mencionados entre emedebistas é o de Renan Calheiros (AL), que presidiu o Senado em três ocasiões e chegou a renunciar à candidatura na disputa com Alcolumbre, em 2019.

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