Até o momento, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem adotado uma postura discreta diante das recentes crises envolvendo seus enteados. Publicamente, ela evitou se manifestar sobre episódios que colocaram integrantes da família Bolsonaro no centro dos debates políticos, como a aproximação de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a decisão judicial envolvendo Eduardo Bolsonaro, condenado por coação no curso do processo relacionado ao julgamento da ação penal que resultou na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
Apesar do silêncio em relação a esses acontecimentos, Michelle continua participando de articulações políticas nos bastidores. A ex-primeira-dama tem sido vista com frequência ao lado da senadora Tereza Cristina, apontada como um dos nomes mais cotados dentro do Partido Liberal (PL) para ocupar a vaga de vice em uma eventual chapa presidencial liderada por Flávio Bolsonaro.
Nas redes sociais, Michelle também tem utilizado seus espaços de comunicação para reforçar posicionamentos políticos e comentar temas que considera relevantes. Na última segunda-feira (22), por exemplo, ela celebrou o que interpretou como uma confirmação de críticas feitas anteriormente ao ex-governador do Ceará Ciro Gomes. A manifestação ocorreu após o político afirmar, em entrevista, que “Lula e Bolsonaro são iguais”.
A declaração de Ciro remete a um dos principais pontos de divergência recentes envolvendo Michelle e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. O conflito teve início quando Flávio passou a defender uma aproximação política com o grupo ligado ao pedetista no Ceará. A movimentação foi rejeitada pela ex-primeira-dama, que criticou a possibilidade de acordo e classificou a articulação como uma “aliança com o mal”.
Dentro da cúpula do PL, ainda existe incerteza sobre o nível de participação de Michelle na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A presença dela em um eventual ato de oficialização da candidatura é tratada como uma questão em aberto por integrantes do partido e aliados próximos.
Segundo pessoas ligadas ao grupo político, uma participação mais efetiva da ex-primeira-dama dependeria de uma aproximação prévia e de um gesto de reconciliação por parte de Flávio Bolsonaro, conhecido como “Zero Um”. Até que essa definição ocorra, Michelle continua sinalizando suas posições por meio de aparições públicas e manifestações nas redes sociais, indicando os grupos e alianças com os quais mantém maior alinhamento político. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo)
