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Otimista com as perspectivas para a economia brasileira, o empresário Abilio Diniz diz não ter dúvidas de que o investidor estrangeiro vai chegar

Para empresário, país está muito barato com dólar em torno de R$4 e pode crescer mais do que a média mundial. (Foto: Beto Barata/PR)

Para Abilio, o crescimento brasileiro ainda é tímido, mas tem potencial de superar a média mundial. E, apesar do desemprego, a queda a inflação já leva à população a sensação de tempos melhores. O que justifica a avaliação positiva que o empresário faz do primeiro ano de governo é a condução da economia, que ele considera séria e competente. Ele evita se posicionar sobre polêmicas como a CPMF, alvo de preconceito, em sua opinião.

Após a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, Abilio enviou uma carta aberta ao presidente, recomendando que ele combatesse a divisão no país. Um ano depois, o empresário vê o Brasil polarizado pela esquerda e pela direita, mas não acredita que a liberdade do ex-presidente Lula tenha piorado o clima de extremos. Confira a seguir trechos da entrevista realizada pelo jornal Folha de São Paulo.

1) Qual é a avaliação do primeiro ano do governo?

Minha avaliação é altamente positiva, principalmente pelo que está acontecendo com a economia. Esse é o fundamental. Temos que medir um governo pelo que ele faz pelo país e pelo povo. Não há dúvida de que os brasileiros estão melhores do que estavam há um ano. Não estão no ideal, mas estão melhores. Há uma retomada ainda tímida do emprego. Está havendo um crescimento ainda tímido da economia, mas está havendo. Toda hora há revisão das projeções. O BC elevou para 2,2%. É um crescimento razoável. A média da economia mundial cresce a 2,9%. Se as coisas continuarem como estão, de repente, essa estimativa pode ir para 2,5% e até ultrapassar a média mundial. Do jeito que vínhamos desde 2014, com sinais ruins desde 2013, havia um abatimento da população e dos empresários, quase uma depressão das pessoas. Hoje o clima é outro.

2) O sr. é a favor da liberação do FGTS?

Sou. Em determinados momentos, tem que usar as armas que tem para ativar um pouco mais a economia. Mas tem efeito colateral? Tem que olhar o lucro e o prejuízo. Eu achei que naquele momento era importante para reativar um pouco. Tem setores que não crescem e outros que crescem sempre. Está faltando um pouco mais de investimento externo. Ele vai vir.

3) Quando?

Nem importa o quando. É que não tem chance. Vai vir, porque tem pouca possibilidade no mundo. Embora a economia americana esteja dando confiança aos investidores, fora dos EUA não tem muita oportunidade. A Europa, estagnada, não tem muita chance de investimento.

4) Qual é a sua opinião sobre CPMF?

Não vou nem defender nem ser contra. O que eu acho é que há um preconceito com CPMF. Ela é tão ruim quanto qualquer outro imposto indireto. Mas polêmicas já temos o suficiente sobre isso.

5) Qual a alternativa para desonerar a folha de pagamento?

Não sei. Não vou ficar passando receita para a equipe do Paulo Guedes, que é extremamente competente. Eles têm que buscar alternativa. Que é importante desonerar a folha, não há dúvida. A quantidade de encargos na folha de pagamento limita muito a manutenção das pessoas na economia formal. Precisa encontrar uma forma de substituir esse tributo por outro ou, de preferência, reduzir despesa, cortar gasto do governo.

6) O senhor faz a defesa das medidas econômicas, mas há outro lado do governo visto com maus olhos, como questões ambientais e de educação. Como separar isso?

Prefiro analisar o que eu conheço, que é a economia. Eu acho que é isso que deixa o brasileiro mais feliz neste momento. Precisamos gerar emprego e deixar as pessoas crescerem.

7) E o que faz com que as pessoas possam crescer?

É as empresas crescerem, poderem investir mais, contratar mais gente. Se as empresas não crescem e não há investimento suficiente para o motor da economia, é difícil ter emprego e crescimento das pessoas. E acho que o Brasil está fazendo. Está acontecendo.

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