O Hospital Universitário de Kyoto, no Japão, transplantou tecido pulmonar de pessoas vivas para um paciente que sofre de grave pneumonia devido à covid-19, no primeiro transplante de pulmão de um doador vivo do mundo para um novo paciente com coronavírus, de acordo com o hospital em um anúncio nesta quinta-feira.
Embora tenha havido de 20 a 40 transplantes de pulmão na China, Europa e EUA após a infecção, todos eram de doadores com morte cerebral. “Espera-se que o primeiro transplante de pulmão de um doador vivo do mundo seja um tratamento promissor para pacientes com doenças pulmonares graves”, disse o hospital universitário em um comunicado à imprensa.
A paciente é uma mulher que mora na região de Kansai, onde está localizado o hospital. Depois de ser infectada com covid-19 no fim do ano passado, sua condição piorou rapidamente e ambos os pulmões começaram a falhar.
Depois de passar por um tratamento de três meses com oxigenação por membrana extracorpórea, a mulher foi internada no Hospital Universitário de Kyoto na segunda-feira. A paciente recebeu partes do pulmão de seu marido e filho durante uma operação de 11 horas na quarta-feira. O hospital universitário disse que os dois doadores familiares estão bem de saúde.
Embora a paciente tenha dado resultado negativo para covid-19 em um teste de PCR, “não havia esperança de recuperação do distúrbio pulmonar, e a única maneira de salvar sua vida era transplantar o pulmão”, disse o hospital.
O transplante de pulmão de doador vivo está disponível apenas para pessoas com menos de 65 anos de idade que não apresentam danos a outros órgãos. Muitos pacientes submetidos ao mesmo tratamento para covid-19 tendem a ter condições subjacentes, o que pode limitar o número de pacientes elegíveis para o procedimento, acrescentou o hospital.
Quarta onda
Autoridades de saúde do Japão disseram que têm receio de que variantes do coronavírus estejam impulsionando uma quarta onda da pandemia no país, a apenas 109 dias da Olimpíada de Tóquio.
As variantes parecem ser mais infecciosas e podem ser resistentes a vacinas, que ainda não estão amplamente disponíveis no Japão. A situação é pior em Osaka, onde as infecções atingiram recordes novos na semana passada, levando o governo regional a adotar medidas direcionadas de lockdown durante um mês.
Uma variante mutante da Covid-19 detectada pela primeira vez no Reino Unido toma conta da região de Osaka, disseminando-se mais rápido e lotando os leitos hospitalares com casos mais graves do que os do vírus original, de acordo com Koji Wada, conselheiro do governo para a pandemia.
“A quarta onda será maior”, disse Wada, professor da Universidade Internacional de Saúde e Bem-estar de Tóquio. “Precisamos começar a debater como poderíamos utilizar estas medidas direcionadas na área de Tóquio”. As informações são do jornal Valor Econômico e da agência de notícias Reuters.
