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Pai de Britney Spears recebe salário equivalente a 80 mil reais para cuidar da vida da cantora

Ele falou sobre a ordem judicial de 13 anos que teve sobre a estrela e a sua relação com os netos. (Foto: Reprodução)

Uma medida judicial de 2008 tem permitido ao norte-americano James Spears, 68 anos, controlar a vida e a carreira da cantora Britney Spears, sua filha. Trata-se de um esquema de tutela do qual a artista de quase 40 anos tenta, agora, colocar um ponto final – em recente depoimento às autoridades, ela chocou a opinião pública ao relatar uma série de supostos abusos.

Dentre os relatos estão a proibição de que tirar o DIU (dispositivo intra-uterino que impede a gravidez). Britney, que já tem dois filhos, quer ser mãe novamente, mas James não concorda. Esse e outros problemas já teriam motivado ela a tentar um encerramento da tutela por mais de uma vez, anteriormente.

Controlar a vida de Britney (e um patrimônio estimado em quase US $ 60 milhões) é extremamente rentável para Jamie, segundo a revista “Forbes”, que fez as contas de quanto ele ganha com essa função. Os dados foram publicados também pelo jornal “The New York Times”.

Desde fevereiro de 2009, um ano depois da nomeação do pai como tutor pelo Estado, Britney paga a ele US$ 16 mil (quase R$ 80 mil) mensais. Em 12 anos, a soma chega a US$ 2,4 milhões em “salários”. Além disso, ela tem que arcar com a despesa do aluguel de um espaço de trabalho para o próprio pai, a US$ 2 mil mensais.

No período de 2013 a 2017, Britney apresentou a temporada de shows “Piece Of Me”, em Las Vegas (Nevada), que lhe rendeu cerca de US$ 140 milhões entre ingressos e faturamento com propaganda. Conforme o “The New York Times”, James ficou com 1,5% da arrecadação, ou seja, US$ 2,1 milhões (cerca de R$ 10 milhões).

Já na turnê “Femme Fatale”, de 2011, Jamie levou 2,95% dos lucros. Calcula-se que, desse trabalho, ele ameaçou da filha mais de US$ 500 mil (ou algo em torno de R$ 2,5 milhões).

A lei americana diz que o tutelado deve pagar todas as custas legais dos processos, ou seja, cabe a cantora pagar advogados a taxas. Os custos não são públicos, mas, segundo a revista “Forbes”, entre outubro de 2018 e outubro de 2019 a firma de advocacia Freeman, Freeman and Smiley, que representa Jamie, cobrou US$ 170 mil de Britney.

Outros documentos mostram que o advogado dela, Samuel D. Ingham III, recebeu cerca de US$ 33o mil entre novembro de 2016 e outubro de 2018, por um total de 700 horas de trabalho.

Entenda o caso

James P. Spears começou a administrar a fortuna da artista em 2008, depois que a filha foi duas vezes levada de ambulância para um hospital. Submetida a avaliações psiquiátricas involuntárias, Britney – que despontou para o sucesso em 1999 com o hit “Oops, I Did Again” – fez uma série de aparições públicas que geraram preocupações em torno de sua saúde mental e com um possível abuso de drogas.

Registros judiciais obtidos pela imprensa mostram que Britney questionou a aptidão do pai para gerir os lucros de sua carreira como cantora. No ano passado, o advogado nomeado pelo Tribunal para defender a cantora, Samuel D. Ingham III, disse ao juiz que ela estava “com medo” do pai e que este gerencia um patrimônio de quase US$ 60 milhões.

Representantes de “Jamie” não têm comentado o caso. Anteriormente, no entanto, eles já haviam dito que a tutela era necessária para “proteger Britney da exploração e do mal” e que “o pai e tutor da artista tem sido obediente, agindo por amor”.

“Sempre que Britney quiser encerrar sua tutela, ela pode pedir a seu advogado para entrar com uma petição para encerrá-la”, declarou no começo do ano a advogada Vivian Lee Thoreen, que representa James Spears. “Ela sempre teve esse direito, mas em 13 anos nunca o exerceu, e sabe que seu pai a ama, que ele está de prontidão sempre que for preciso, como sempre o fez, aliás, com tutela ou não.”

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