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Pandemia é lembrete de que erramos com a natureza, diz diretor de fundo global para o meio ambiente

Gustavo Fonseca diz que é apenas por meio de uma retomada verde no mundo pós-covid que será possível mitigar os riscos de novos eventos pandêmicos globais. (Foto: Reprodução)

Primeiro a palestrar na Conferência Brasil Verde 2021, evento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, em parceria com Ambipar Group, o Diretor de Programas do Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF, na sigla em inglês), Gustavo Fonseca, afirmou que a pandemia de covid-19 é um lembrete de que a humanidade está no “caminho errado globalmente” sobre o modo como lida com a natureza.

“Esse conflito entre natureza e sistemas econômicos está causando um surto global de doença zoonótica que é apenas uma de várias nos últimos anos e, provavelmente, é uma das várias que vão aparecer no futuro, se a gente continuar nessa trajetória”, disse.

Segundo ele, é apenas por meio de uma retomada verde no mundo pós-covid que será possível mitigar os riscos de novos eventos pandêmicos globais. Ele acredita que será necessário que os setores público e privado tenham agenda que atenda ao menos três tópicos principais: sociedade mais equitativa, positiva à natureza e neutra em carbono.

Além dessas práticas terem papel fundamental para melhorar a relação da humanidade com a natureza, olhando especificamente para o Brasil, Fonseca ressalta que uma retomada verde é o único trilho possível para o País ser competitivo globalmente.

“O setor privado está atento à percepção negativa que o Brasil tem internacionalmente, principalmente em questões ambientais e sociais da Amazônia. Essa perspectiva negativa é altamente prejudicial para o País. Não só do ponto de vista reputacional, mas também para o desenvolvimento de negócios e atração de capital para projetos que são indispensáveis para o desenvolvimento sustentável”, explicou.

Além disso, o especialista destacou que o território brasileiro já sofre com os efeitos das mudanças climáticas, que devem piorar. Segundo ele, há pesquisas que mostram grande possibilidade de correntes oceânicas em territórios brasileiros sendo afetadas, além de inundações em regiões mais úmidas, ventos extremos no País e até mesmo eventos de neve na Região Sul. Esse último tipo de evento pode resultar, como ressaltou Fonseca, em colheitas mais fracas, com resultado direto em preços de produtos.

O diretor do GEF reforçou que o Brasil não está no caminho certo para cumprir metas ambientais, afirmando que o País não desenvolveu uma estratégia nacional integrada de longo prazo para atingir suas metas climáticas. “Por outro lado, em uma nota um pouco mais animadora, algumas reformas no setor de infraestrutura, juntamente com a liderança da comunidade empresarial, o trabalho das ONGs, das organizações da sociedade civil na agenda climática, oferecem oportunidades importantes para se trabalhar uma recuperação verde no Brasil”, disse.

O GEF, grupo do qual Fonseca faz parte, foi criado às vésperas da Eco-92, conferência realizada no Rio de Janeiro, em 1992, sobre o clima, e apoia convenções internacionais, como de biodiversidade, além de atuar no enfrentamento de problemas de desertificação e degradação da terra. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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