Momentos antes da missa de sétimo dia para Marielle Franco (PSOL), o papa Francisco ligou para a mãe da vereadora executada a tiros semana passada. Segundo Anielle Franco, irmã de Marielle, a advogada Marinete Franco ficou emocionada com o telefonema do Pontífice, que expressou solidariedade à família e disse estar rezando por todos.
A cerimônia aconteceu no início da tarde desta quarta-feira (21), na Igreja Nossa Senhora do Parto, no Centro, para poucos presentes. De acordo com Anielle, a ligação de Francisco ocorreu momentos antes da missa.
“Ela ficou tão emocionada que não entendeu muito o que ele falou. Ela contou que o Papa disse o nome de Marielle, prestou solidariedade e disse que estava rezando pela família”, contou a irmã da parlamentar morta na quarta-feira da semana passada, junto com seu motorista, Anderson Gomes.
Anielle só ficou sabendo do telefonema na manhã desta quarta. Ela não tinha conversado com a mãe desde então e só ficou sabendo da ligação após receber telefonemas de pessoas perguntando sobre o contato do Papa. “Não acreditei que ele tinha ligado. A primeira coisa que eu pensei é que era um boato, mas foi verdade e estamos todos muito emocionados com esse carinho”, disse.
Pelo Facebook, Gustavo Vera, diretor da ONG La Alameda e amigo pessoal do papa Francisco, compartilhou uma postagem da organização contando que o pontífice havia ligado para a mãe de Marielle. Segundo o texto, a filha de Marielle, Luyara, escreveu uma carta endereçada ao papa. A mensagem foi enviada ao Pontífice pelo próprio Vera.
Luyara enviou um e-mail para o Papa no domingo, dia 18 de março, pedindo que ele “por nós, pela nossa família, pelas mulheres, pelo povo negro, pela vida nas favelas do Rio de Janeiro”. A resposta do assessor argentino Lucas Schaerer, que trabalha com o Pontífice, veio em seguida: “Luyara estimada, recebemos sua emocionante carta ao Papa Francisco. Vamos enviar hoje mesmo a ele. Rezamos por sua mãe e por você”.
Homenagem
Um projeto de resolução para que a tribuna do plenário da Câmara dos Vereadores do Rio passe a se chamar Marielle Franco foi protocolado na Casa nesta quarta-feira (21) e, pode ser aprovado em primeira discussão já na próxima semana.
O projeto ainda precisa passar pelas comissões de Educação e Justiça. Por isso, não deve haver tempo hábil para a aprovação até o fim desta semana. A proposta é assinada por seis deputadas e tem o apoio formal de outros 24 parlamentares.
Com isso, o projeto já tem votos suficientes para a aprovação. A votação é simbólica, ou seja, para ser aprovada precisa do voto da maioria dos parlamentares que estiverem no plenário no momento. Exemplo: se 20 dos 50 vereadores estiverem no plenário, 11 votos aprovariam o projeto. Como a votação não é nominal, os votos não são declarados.
Na justificativa do projeto de lei, as mulheres que assinam o projeto lembram as bandeiras da colega assassinada no Centro do Rio há uma semana. “Em uma de suas últimas falas no Plenário da Câmara, a vereadora ressaltou a resistência e a lutas das mulheres pela pauta do direito à vida e contra toda forma de opressão”, dizem as autoras.
No Dia da Mulher, quando falou pela última vez como parlamentar no plenário da Casa, fez uma homenagem à data e propôs uma reflexão.
“O que é ser mulher? O que cada uma de nós já deixou de fazer ou fez com algum nível de dificuldade pela identidade de gênero, pelo fato de ser mulher? A pergunta não é retórica, ela é objetiva, é para refletirmos no dia a dia, no passo a passo de todas as mulheres, no conjunto da maioria da população, como se costuma falar, que infelizmente é sub-representada”, disse a vereadora.
Em pouco mais de um ano, apresentou cerca de 20 projetos de lei. Dois foram aprovados. As propostas de sua autoria que não chegaram à aprovação tratam da elaboração de um dossiê sobre a vitimização feminina, a implementação de uma campanha contra o assédio sexual e o apoio ao desenvolvimento cultural do funk. Ela também propôs o enfrentamento contra a homofobia e a celebração de datas como a da luta “contra o encarceramento da juventude negra”.
