Em entrevista a uma rádio paulista nessa quinta-feira, a candidata da Rede ao Palácio do Planalto, Marina Silva, afirmou que as eleições de 2014 foram “uma fraude de partidos que usaram dinheiro de caixa 2 e abusaram da violência política”.
Ainda segundo a presidenciável da Rede, o acirramento deflagrado na última corrida presidencial desencadeou uma onda de violência política, que teria como desdobramentos, quatro anos depois, o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), dois atentados contra apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a agressão à faca contra o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro.
“Aliás, violência política que começou em palavras e agora se traduz em atos”, avaliou. “Quando a gente se omite com violência política e ela inicia na forma de desconstrução de biografias e em calúnias, a consequência é a evolução disso, a ideia de eliminação do adversário. O Brasil precisa sair desse ciclo perverso de polarização, discurso fácil, mentira e inquisição”.
Nas eleições de 2014, Marina assumiu a cabeça de chapa do PSB após a morte de Eduardo Campos (de quem era vice) em um acidente aéreo durante a campanha. Nas primeiras semanas após a tragédia aérea, Marina cresceu nas pesquisas mas acabou ficando na terceira colocação, com 22 milhões de votos, atrás de Aécio Neves (PSDB), a quem apoiou no segundo turno, e de Dilma Rousseff (PT), que acabou reeleita.
Queda nas pesquisas
Marina Silva comentou durante a entrevista sobre sua queda na última pesquisa dos institutos Datafolha e Ibope. Ela atribuiu os resultados das pesquisas ao que chamou de “oscilação”. O levantamento divulgada pelo Ibope na última terça-feira mostra que a presidenciável da Rede caiu três pontos, passando de 10% para 7%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.
O Datafolha também detectou, na segunda-feira, uma baixa nas intenções de voto em Marina. Conforme o instituto, ela passou de 16% para 11%. A margem de erro da pesquisa do Datafolha é de dois pontos percentuais (com a margem de erro, ela tem de 9% a 13%). “Ainda não é um dado consolidado”, enfatizou Marina. “Vou continuar fazendo meu trabalho.”
Ela reclamou de suposta falta de isonomia entre os candidatos na disputa eleitoral e disse que é vítima de um “bloqueio institucional”. Ressaltou que tem apenas 21 segundos em cada bloco do horário eleitoral e criticou a divisão dos recursos do fundo eleitoral de R$ 1,7 bilhão criado pelo Congresso Nacional para compensar a proibição de as empresas fazerem doações eleitorais.
A divisão do fundo levou em conta, principalmente, a composição dos partidos na Câmara e no Senado em agosto de 2017 e também o total de votos de cada legenda nas eleições para deputado federal de 2014.
A Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, teve direito a uma fatia de R$ 10.662.556,58 do fundo eleitoral. Já MDB, PT e PSDB receberão, juntos, R$ 632 milhões do fundo eleitoral neste ano, o que representa 36,8% do total.
“Apesar de estar disputando contra grandes estruturas, estou disputando passo a passo”, ponderou. “Mesmo quando não tinha acontecido essa oscilação [queda nas pesquisas]. Pesquisa é resultado de momento. Vou continuar fazendo o meu trabalho. Não vou trocar princípio por voto, não vou fazer um ‘promessômetro’ para iludir o eleitor.”
Energia limpa
Em outro trecho da entrevista, Marina Silva afirmou que, se eleita, vai incentivar e subsidiar alternativas de energia limpa. Ela prometeu construir 1,5 milhão de painéis solares e criar fazendas de energia eólica na região do semiárido.
Marina ressaltou que, na avaliação dela, o projeto de subsídio para fabricação dos painéis solares para instalação nos telhados das residências para aproveitar o potencial solar do país irá auxiliar na geração de empregos, especialmente, para jovens.
Ex-ministra do Meio Ambiente, a presidenciável classificou de “erro” o investimento que vem sendo feito pelo governo federal em energia suja, como as de usinas termelétricas movidas a carvão e diesel: “Perpetuar esse sistema cria problemas em relação a mudanças climáticas. Não cria um novo ciclo de prosperidade”.
