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Parte do PT teme que Fernando Haddad esvazie a candidatura de Lula

Ex-governador paulistano já admite alianças com PDT e PSDB. (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

O temor de que o lançamento do nome de Fernando Haddad como vice esvazie a candidatura de Lula se abateu sobre parte do PT, segundo a colonista Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S.Paulo”.

Há o entendimento de setores do partido de que tanto ele como Manuela D’Ávila deveriam submergir num primeiro momento, para evitar que a certeza de que Lula não será candidato seja disseminada.

Outra ala acha que mais cedo ou mais tarde esse esvaziamento ocorreria. A hora seria, portanto, de correr o País com os dois vices.

Fogo amigo

Outro problema, este relatado a Andréia Sadi, do G1, é que alguns setores do PT defendiam também o nome da senadora Gleisi Hoffmann, presidente do partido, como candidata a vice de Lula.

Além disso, outras alas do PT preferiam o ex-governador da Bahia e ex-ministro Jaques Wagner como candidato a vice.

Assim como Dilma Rousseff, Haddad não era o nome favorito do partido, mas, sim, uma escolha de Lula.

“Problema”

Na avaliação de um aliado de Haddad, enquanto o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, será um “problema” para Geraldo Alckmin (PSDB), “o problema de Haddad é o PT”.

“Oráculo”

Fernando Haddad, defendeu em evento com investidores nesta quinta-feira, o “método de trabalho” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado da Operação Lava-Jato desde 7 de abril em Curitiba.

“Lula não é oráculo para nós. Ele criou um método de trabalho que é exemplar para governar, ao reconhecer quando não conhece um assunto e chamar para o diálogo”, afirmou, em evento do banco BTG Pactual com presidenciáveis.

Ao defender a legitimidade da candidatura do ex-presidente, Haddad afirmou que Lula sabe “muito bem” conduzir a economia. “Digo com a maior convicção de que Lula vai voltar à Presidência. Este retorno tem de acontecer, vamos lutar para acontecer”, disse. Para Haddad, o governo terá de adotar uma política fiscal “robusta” se o partido chegar ao Planalto em 2019.

No evento, ele criticou a emenda constitucional 95, do chamado “teto dos gastos”, que, para ele, causou desordens no setor público. “É uma ingenuidade política o teto de gastos, porque ele não inibiu nenhuma das pautas-bomba”, afirmou.

Para o ex-prefeito de São Paulo, o presidente que vai assumir o cargo em 2019 terá de construir uma agenda comum de reformas. “Inclusive com a oposição”, constatou. “Porque acho que o presidente a ser eleito não vai sair das urnas muito forte”. No entanto, ele criticou a postura do PSDB, que, segundo o petista, não aceitou o resultado eleitoral de 2014.

O petista defendeu ainda que um eventual governo petista vai tratar em 2019 da questão dos regimes próprios de Previdência de municípios. “Este é um dos problemas mais urgentes da Previdência. Interessa a todos, é sensata no campo social e exequível no político”, disse.

Para Haddad, o País está vivendo uma “anarquia jurídica, inclusive em tribunais superiores”. Ele defendeu mais uma vez as discussões em torno da reforma do Judiciário. Após polêmicas, o programa do PT atenuou as propostas de alterar leis que “interditam a política”.

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