O Partido Liberal (PL) entrou com pedido de impugnação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o registro e a divulgação da pesquisa realizada pela Atlas/Intel que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral. A sigla alegou que o questionário da sondagem foi “sequencialmente arquitetado” contra o filho do ex-presidente. A legenda pedia liminar urgente para suspender imediatamente a divulgação dos resultados, o que acabou ocorrendo nessa terça-feira (19).
O documento sustenta que, das 48 perguntas do questionário, pelo menos oito induzem o entrevistado sobre o envolvimento de Flávio com Daniel Vorcaro e o Banco Master. O texto afirma que essa estrutura “não mede opinião, produz contexto” e transforma a pesquisa em “meio indireto de propaganda negativa”. O PL cita literatura científica e jurisprudência do TSE e TREs para argumentar que a ordem das perguntas altera resultados em até 20 pontos percentuais.
Além da suspensão imediata da divulgação (com multa diária em caso de descumprimento), o partido requer:
* Acesso ao controle da Atlas/Intel (microdados anonimizados, logs de aplicação, arquivo de áudio completo, plano amostral etc.) em 24 horas;
* Multa por pesquisa irregular e, subsidiariamente, por divulgação de pesquisa fraudulenta, no patamar máximo de R$ 106.410,00;
* Proibição definitiva da divulgação dos resultados das perguntas 9, 10, 11, 12 a 19, 22, 25 e 48, ou, alternativamente, obrigatoriedade de ressalva clara sobre a contaminação metodológica.
O PL argumenta que a pesquisa “não se limitou a medir a opinião pública espontânea, mas atuou diretamente para induzi-la artificialmente”, configurando risco de “indução do eleitorado em duas camadas”: dentro da entrevista e perante o público que receberá os resultados como neutros.
A assessoria da Atlas/Intel afirmou que o teste de áudio – gravação da conversa entre Flávio e Vorcaro – foi realizado somente após a conclusão e submissão do questionário pelo entrevistado, em momentos e interfaces completamente separados, sem qualquer interferência nas respostas da pesquisa e sem que o eleitor pudesse mudar suas respostas. “Por isso, não há qualquer impacto nos resultados da pesquisa. Durante o questionário, perguntamos se o respondente teve conhecimento sobre o caso e se já havia ouvido o áudio por conta própria, e não reproduzimos o conteúdo em nenhum momento”, alegou.
“O teste do áudio, realizado em momentos e interfaces completamente separadas após a conclusão do questionário, tem o objetivo de medir segundo a segundo a reação de uma amostra representativa da população a conteúdos audiovisuais, com segmentação demográfica. Todo o desenho do questionário e da dinâmica foi feito com todo rigor técnico e metodológico que caracterizam o trabalho da Atlas/Intel a nível internacional, sempre prezando pela imparcialidade e qualidade dos dados”, acrescentou. (Com informações do portal da Jovem Pan)
