O PL iniciou uma operação para conter ataques à senadora Tereza Cristina (PP-MS) dentro da própria direita e evitar que a disputa pela presidência do Senado provoque um racha na oposição, favorecendo a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP). A preocupação veio à tona durante a reunião que oficializou a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), quando aliados fizeram um apelo para preservar a relação com a ex-ministra da Agricultura, que também pretende concorrer ao comando da Casa. Nos bastidores, o receio é que o acirramento das críticas inviabilize uma composição entre os dois grupos antes da eleição de fevereiro.
O alerta ganhou eco na fala dos políticos presentes no encontro, entre eles o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), que pediu aos presentes que não tratassem Tereza como adversária. Em sua manifestação, o parlamentar lamentou críticas feitas por integrantes da direita à ex-ministra e ressaltou que ela participa das articulações políticas conduzidas por Marinho.
“Queria lamentar alguns posicionamentos da direita sobre a Tereza Cristina. Ela sempre esteve em todas as nossas reuniões com Rogério Marinho. É nossa aliada”, afirmou Portinho.
O próprio Marinho procurou afastar a possibilidade de um confronto com a senadora. Após o encontro, afirmou que os dois mantêm um entendimento para não disputar a presidência do Senado um contra o outro, embora ainda não haja definição sobre quem deverá encabeçar uma eventual candidatura única.
“A senadora Tereza tem toda a legitimidade de ser candidata. Nós conversamos hoje pela manhã. Ela certamente vai tentar viabilizar a sua candidatura, é o que nós estamos fazendo aqui, é o que o atual presidente está fazendo”, afirmou.
Nos bastidores, aliados de Marinho demonstram preocupação com o desgaste provocado pela disputa com Tereza e avaliam que o acirramento das críticas pode dificultar uma composição entre os dois grupos, abrindo espaço para a reeleição de Alcolumbre. O receio é que os ataques à ex-ministra afastem parlamentares do Centrão e senadores que resistem ao nome do candidato do PL, justamente os votos que a oposição precisará conquistar para enfrentar o atual presidente da Casa.
Por isso, a orientação durante a reunião foi conter as críticas a Tereza e preservar os canais de diálogo, mesmo com as duas candidaturas mantidas.
A tentativa de preservar a relação com Tereza ocorre justamente no momento em que Marinho busca demonstrar força política. A reunião contou com 38 participantes, entre eles 31 senadores que integrarão a próxima legislatura, dois suplentes, dois deputados federais e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Também participaram parlamentares de outras siglas, como Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Marcel van Hattem (Novo-RS).
Apesar da mobilização, o encontro não resolveu o principal impasse da oposição: qual dos dois candidatos abrirá mão da disputa. Marinho e Tereza pretendem demonstrar capacidade de reunir apoios antes de uma definição. A ex-ministra aposta em seu trânsito entre diferentes partidos para conquistar votos além da direita, enquanto o senador do PL busca consolidar o respaldo da bancada e de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O cuidado com Tereza reflete o cálculo de que Alcolumbre pode se beneficiar de uma oposição dividida. O atual presidente do Senado trabalha para consolidar o apoio de partidos governistas e do Centrão, enquanto seus adversários tentam atrair parlamentares dessas mesmas bancadas. (Com informações do jornal O Globo)
