Sem saber ao certo como será o financiamento das candidaturas de prefeitos e vereadores em 2016, presidentes e tesoureiros de partidos ainda buscam uma alternativa depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) proibiu doações de empresas privadas. Lideranças especulam que candidatos mais ricos, com capacidade de se autofinanciar, os que estão no poder e têm a máquina partidária e os ligados a sindicatos com muitos filiados devem sair ganhando. Alguns partidos ainda apostam que a aprovação da emenda constitucional que permite o financiamento de empresas, já votada pela Câmara dos Deputados, poderá resolver o problema.
Os partidos políticos ainda estão atônitos com a decisão do STF de proibir a doação de empresas a partidos e candidatos. O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), disse que a decisão deveria ter sido complementada com outras medidas. Segundo Oliveira, para ter efeito, a regra deveria ser acompanhada do fim da reeleição e desincompatibilização de quem está no cargo seis meses antes do pleito.
O presidente do PSD, Guilherme Campos, disse que não há como responder como será o financiamento das campanhas de prefeitos e vereadores. Para ele, o Congresso terá que encontrar uma solução. Campos afirma que por conta das denúncias da Operação Lava-Jato, as doações de empresas ao fundo partidário “secaram”.
Ex-presidente do PSDB de Minas Gerais, o deputado Marcus Pestana, um dos principais articuladores da reforma política na Câmara, considera que os partidos terão que se adaptar, fazendo campanhas mais modestas, e usando o fundo partidário, como já acontece com alguns partidos.
Favorável à decisão, o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), disse que ela modifica radicalmente a forma de fazer campanha: “Todos terão que buscar baratear as campanhas”.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que, se mantida a decisão, o perfil do Congresso mudará radicalmente em desfavor dos interesses do Brasil. Para Cunha, o Congresso será composto exclusivamente “por representantes de sindicatos, de corporações e da máquina pública”, setores que, segundo ele, têm maior facilidade de conseguir financiamento eleitoral junto a pessoas físicas. (AG)
Partidos políticos atônitos com decisão do Supremo: não sabem como financiar campanhas em 2016 e acham que quem está no poder leva vantagem

Favorável à decisão, o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), disse que "todos terão que buscar baratear campanhas". (Foto: reprodução)