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Mercado financeiro sobe para 5,30% a estimativa da inflação brasileira em 2026 e projeta corte menor de juros

As projeções para a economia brasileira constam no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. (Foto: Agência Brasil)

O mercado financeiro voltou a elevar suas projeções para a inflação brasileira em 2026. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,11% para 5,30%. Esta é a 14ª semana consecutiva de alta nas previsões dos economistas consultados pela autoridade monetária.

O novo percentual mantém a inflação projetada acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Desde a adoção do sistema de metas contínuas, em 2025, o objetivo é manter a inflação em 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

A revisão para cima ocorre em meio às incertezas provocadas pelo cenário internacional. Nas últimas semanas, a escalada do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo no mercado global, aumentando as preocupações com possíveis impactos sobre os combustíveis e o custo do transporte em diversos países, incluindo o Brasil.

O avanço das cotações da commodity levou analistas a revisarem suas projeções para a inflação, uma vez que aumentos nos combustíveis costumam se espalhar por diversos setores da economia. No entanto, o cenário apresentou uma mudança nos últimos dias. Após o anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no domingo (14), os preços internacionais do petróleo iniciaram a semana em queda, reduzindo parte da pressão observada anteriormente.

Apesar do alívio momentâneo, os economistas avaliam que ainda há incertezas relacionadas ao comportamento dos preços das commodities, ao cenário fiscal brasileiro e ao ritmo de crescimento da economia global.

Para 2027, a projeção de inflação também foi revisada para cima, passando de 4,03% para 4,10%. Embora o percentual permaneça dentro do intervalo de tolerância definido pelo CMN, ele continua acima da meta central de 3%.

Juros altos

O mercado também elevou suas expectativas para a taxa básica de juros nos próximos anos. A projeção para a Selic ao final de 2026 passou de 13,50% para 13,75% ao ano. Para 2027, a expectativa subiu de 11,50% para 12%.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,50% ao ano, um dos níveis mais elevados dos últimos anos. A manutenção de juros altos reflete a preocupação do Banco Central em conter as pressões inflacionárias e garantir a convergência da inflação para a meta estabelecida.

Taxas mais elevadas encarecem o crédito para famílias e empresas, reduzindo o consumo e os investimentos, mas são consideradas um dos principais instrumentos para controlar a alta dos preços.

Crescimento econômico e câmbio

Em relação à atividade econômica, os economistas melhoraram ligeiramente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026 passou de 1,91% para 1,96%. Para 2027, a previsão foi mantida em 1,70%.

Já para o câmbio, o mercado passou a projetar uma moeda norte-americana mais valorizada. A estimativa para o dólar ao final de 2026 subiu de R$ 5,15 para R$ 5,20. Para 2027, a projeção avançou de R$ 5,20 para R$ 5,25.

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