Em 2019, pela primeira vez o Brasil desapareceu do “Índice Global de Confiança para Investimentos Estrangeiros”, elaborado pela empresa norte-americana de consultoria A. T. Kearney. O ranking – intitulado “FDI Global Index” – mede as perspectivas da modalidade para os três anos seguintes, a partir de entrevistas com 500 executivos das maiores multinacionais, de um total de 25 nacionalidades.
Até 2014, o País esteve no “Top 5”. Já em 2018, estava na última posição da lista. Empresários e especialistas atribuem essa perda de espaço às dificuldades em avançar na agenda de reformas, bem como aos constantes ruídos políticos entre governo federal e Congresso Nacional e à falta de regras claras para os negócios. E o problema é constatado justamente quando há, em âmbito mundial, disponibilidade de capital para aplicação em bons projetos.
Mercado de ações
Nas Bolsa de Valores, a situação também é marcada pelo evasão de investidores. Até o dia 4 de março, estrangeiros já sacaram R$ 44,8 bilhões do mercado brasileiro de ações em 2020. O valor – sem contar ofertas de papeis – é maior que o montante retirado durante todo o ano passado (R$ 44,5 bilhões) e também supera a retirada de 2008, a maior da série histórica, quando foram sacados R$ 44,6 bilhões em um período de crise financeira.
A velocidade de saída também é recorde, cerca de R$ 1,05 bilhão por pregão, e supera a média diária de 2008. Se considerados as IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) e follow-ons (oferta subsequente de ações), o saldo de estrangeiros está negativo em R$ 33,4 bilhões neste ano. Em 2019, considerando-se essas operações, a saída foi de R$ 4,7 bilhões.
Analistas apontam que a saída de investidores estrangeiros não é exclusividade do Brasil, mas ocorre com mais intensidade e rapidez por aqui devido à importante presença desses investidores no país e à ampla liquidez do mercado brasileiro. Com base no volume de compra e venda de ações na Bolsa, os estrangeiros são 45% do total em 2020. Institucionais (bancos e fundos) são 33% e pessoas físicas, 17,6%.
“O fato da economia brasileira patinar reduz a atratividade para estrangeiros”, avalia Paulo Gala, diretor-geral da Fator Administração de Recursos. “O fluxo de saída está ligado à falta de expectativa de crescimento no Brasil, algo que foi intensificado pelo coronavírus porque, em horas de pânico, investidores conseguem se desfazer de posições aqui.”
Neste ano, com o temor de investidores com o impacto econômico do coronavírus e desaceleração da economia global, estrangeiros vendem ativos com maior velocidade em países emergentes em busca de investimentos mais seguros, como o ouro e títulos do Tesouro americano, algo que se reflete na desvalorização de praticamente todas as moedas emergentes, com exceção do renminbi chinês e dólar de Taiwan.
