Já pensou em falar com a inteligência artificial (IA) para transformar uma ideia em um produto de verdade e individual? No mercado de perfumes, isso já é possível. E, em breve, também será no de cosméticos, com a tecnologia levando a personalização de tons da pele ao extremo, criando um produto para cada pessoa.
Uma amostra disso pode ser vista em São Paulo até o último dia 11, onde os visitantes do File Festival testaram de graça uma máquina que cria essências personalizadas por IA. É uma experiência do que pode indicar o futuro do mercado da beleza e da perfumaria. O equipamento ficou no prédio do Centro Cultural Fiesp com entrada gratuita.
A instalação “Algorithmic Perfumery by EveryHuman”, do artista Frederik Duerinck, ficou bem próxima à entrada da mostra. A empresa dele, a Scentronix, é responsável pelo desenvolvimento da plataforma e de uma marca de perfumaria on-line.
Para testar, o usuário escaneia um QR code com o celular para acessar o site. Após um cadastro rápido, a conversa com o bot começa. Duerinck não informou qual é o “motor” por trás da inteligência artificial.
O sistema pergunta preferências, ideias e pede um ponto de partida para criar a essência. Durante o evento, os usuários sugeriam temas abstratos, como “paz”, “liberdade” ou “um campo florido”.
Um teste feito por equipe do portal de notícias G1 pediu o cheiro de uma sala de concertos. A interação ocorreu em inglês, mas o bot também funciona em português. A conversa abordou notas olfativas e preferências entre aromas e sensações.
O pedido incluiu um perfil amadeirado, com sândalo, textura de veludo e um toque leve de canela. O resultado se chamou “Citrus Amber Wood”.
O chat encerrou a conversa e gerou um código. O usuário digita os números na máquina da exposição, o nome aparece na tela e o pedido entra na fila de produção.
Os frascos se movem por uma esteira automatizada e são preenchidos por ingredientes. O equipamento possui 54 frascos com os acordes olfativos, o que permite criar uma grande variedade de perfumes sem repetição. Em menos de 10 minutos, o líquido estava pronto.
O último passo foi feito por uma funcionária treinada, que colocou a tampa, o borrifador e colou na caixa a etiqueta com a composição. O frasco entregue tem 5 ml.
O projeto da Scentronix no File Festival contou com o apoio da Natura e da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). As entidades auxiliaram na liberação da máquina para uso em local público, por conta de restrições da Anvisa.
A agência mantém regras rigorosas para manipulação de produtos químicos em áreas abertas, devido a questões sanitárias e riscos de contaminação.
Daniela Grazina, gerente sênior de Inovação e P&D da Natura, afirmou que esse trabalho junto à Anvisa ocorre desde 2021 e que a fase experimental deve durar mais um ano.
A outra iniciativa é uma máquina de personalização de maquiagem, com tecnologia desenvolvida internamente pela Natura. A marca diz que vai ser possível criar bases da linha Natura Una “personalizadas em menos de uma hora”.
Sem dar muitos detalhes, a empresa informou que criou uma tecnologia para leitura dos tons e subtons da pele para combinar cores segundo o perfil de cada consumidor.
A fabricante disse que as tecnologias de perfumes por IA e personalização de maquiagem entram em teste nas lojas ainda em 2026, sem data e locais definidos.
Os testes irão avaliar esse modelo de produção nas próprias lojas, “contribuindo para a evolução da regulamentação nacional e para o desenvolvimento da personalização em novas categorias de beleza e bem-estar”, segundo a Natura. As informações são do portal de notícias G1.
