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Perícia do Tribunal Superior Eleitoral aponta empresas de fachada na campanha de Dilma e Temer

Ação pode resultar na cassação dos mandatos de Dilma e de Temer (Foto: Lula Marques/Agência PT)

Técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entregaram na segunda-feira (23) a perícia realizada sobre documentos de empresas que prestaram serviços à campanha eleitoral que elegeu a presidenta afastada Dilma Rousseff e o presidente interino Michel Temer, em 2014. Os peritos identificaram irregularidades nas contratações. A suspeita da Justiça Eleitoral é de que as firmas sejam empresas de fachada.

Com o fim da fase de perícia, a relatora do caso, ministra Maria Thereza de Assis Moura, já agendou os depoimentos das testemunhas. Segundo o laudo dos peritos, três empresas não apresentaram documentos capazes de comprovar que, efetivamente, prestaram serviços no valor pago pela campanha presidencial. As empresas que se encontram nessa situação são a gráfica VTPB, a Red Seg Gráfica e Editora e a Focal.

Os técnicos apontaram que uma quarta empresa que teve os documentos analisados, a Gráfica Atitude, não foi contratada pela campanha. A Gráfica Atitude é suspeita de ter sido usada para captar propinas para o PT, segundo investigações da Operação Lava-Jato.

Em abril, a relatora autorizou o início da colheita de provas para a ação proposta pelo PSDB que investiga se houve abuso de poder político e econômico pela campanha vencedora, composta pela chapa PT-PMDB, nas eleições presidenciais de 2014.

A ação de investigação que corre no TSE pode resultar na cassação dos mandatos de Dilma e Temer e na inelegibilidade dos dois. Se o impeachment de Dilma for confirmado pelo Senado, o processo ainda continua no TSE.

Depoimentos 

Ao menos dez testemunhas serão ouvidas em setembro pela Justiça Eleitoral, segundo despacho da relatora. Prestarão depoimento no dia 16 de setembro, no Rio, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e os lobistas Hamylton Pinheiro Padilha Junior e Zwi Skornicki.

No dia 19 de setembro, serão ouvidos em São Paulo os empresários Augusto Mendonça (da Toyo Setal), Eduardo Hermelino Leite (da Camargo Corrêa) e Ricardo Pessoa (do UTC), além do lobista Julio Camargo e dos executivos Flávio Barra e Otávio Marques de Azevedo, ligado à Andrade Gutierrez.

A ministra solicitou cópia das delações de Pessoa e de nomes ligados à Andrade Gutierrez – a colaboração de executivos da Andrade, porém, é mantida sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. A defesa de Dilma afirmou que só vai se manifestar após ver o laudo completo da perícia. (AE)

 

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