Ícone do site Jornal O Sul

Peritos identificam os restos mortais de mais uma vítima das enchentes do ano passado no RS

Análise genética apontou para mulher desaparecida em maio de 2024 no município Lajeado. (Foto: Sofia Villela/IGP-RS)

Testes de comparação genética realizados pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) permitiram, nesta semana, a identificação dos restos mortais de mais uma vítima das enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. Trata-se de uma mulher relacionada entre os gaúchos ainda desaparecidos desde então e cujo corpo havia sido encontrado em junho no rio Taquari. Com isso, o número de mortos pela catástrofe subiu para 185.

Os restos mortais, em estado de decomposição que impossibilitou a identificação por outros métodos, foram descobertos por uma equipe do serviço de balsa do trecho fluvial entre os municípios de Triunfo e General Câmara (Vale do Rio Pardo). Para descobrir quem era a vítima, provideciou-se o cruzamento de dados com o Banco de Perfis Genéticos.

Peritos do Departamento de Perícias Laboratoriais do IGP conseguiram então estabelecer uma correspondência entre o DNA do corpo e um dos perfis armazenados no sistema: um mulher desaparecida em Lajeado (Vale do Taquari) no dia 2 de maio de 2024.

A correspondência entre as amostras só foi possível graças a uma filha da desaparecida. No ano passado, ela forneceu material genético ao IGP durante a Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas em 2024.

Coincidentemente, o “match” entre as amostras aconteceu durante a edição de 2025 da campanha nacional, reforçando a importância das doações feitas por familiares de pessoas desaparecidas. A chefe da Divisão de Genética Forense do IGP, Cecília Fricke Matte, ressalta:

“Esse resultado evidencia a importância da colaboração dos familiares no trabalho de identificação de pessoas desaparecidas. A doação de material genético é essencial para que possamos fazer os cruzamentos e dar respostas concretas às famílias. Cada perfil doado representa uma chance real de encerrar um ciclo de incerteza e dor”.

Campanha nacional

A edição deste ano da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas termina nesta sexta-feira (15), em diversos municípios gaúchos. Os materiais coletados nos postos são incluídos no banco de dados apenas com a finalidade de buscar correspondências com pessoas sem identificação (vivas ou mortas).

Nos casos em que há um resultado positivo da comparação do perfil genético, a instituição responsável entra em contato com o familiar doador. Isso vale tanto para os confrontos com restos mortais não identificados quanto na verificação de pessoas vivas de identidade desconhecida.

Posição de destaque

A identificação mais recente foi a 105ª realizada exclusivamente por meio de dados constantes no Banco de Perfis Genéticos do Rio Grande do Sul. Esses números reforçam a atuação do governo do Estado junto à busca por pessoas desaparecidas, bem como a importância da participação dos familiares.

Com essa nova descoberta, o Rio Grande do Sul aumentou para quatro o número de identificações realizadas a partir de materiais genéticos coletados durante as ações da campanha do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Além disso, o IGP colocou recentemente o Estado em 4º lugar entre os que mais contribuem com dados para o Banco Nacional de Perfis de Genéticos (BNPG), que reúne informações de todos os laboratórios do País.

(Marcello Campos)

Sair da versão mobile