O juiz federal Sérgio Moro avaliou que a Pixuleco, etapa da Operação Lava-Jato que prendeu o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/governo Lula), apontou para um quadro de corrupção sistêmica – a Lava-Jato constatou que o esquema de propinas se espalhou por diretorias estratégicas da Petrobras e outras estatais.
Moro assinalou que ajustes fraudulentos para obtenção de contratos públicos e o pagamento de propinas a agentes públicos, bem como o recebimento delas por estes, passaram a ser pagas como rotina e encaradas pelos participantes como a regra do jogo.
“Algo natural e não anormal”, anotou Moro sem esconder sua perplexidade ante o alcance do esquema de propinas que se espalhou por diretorias estratégicas da Petrobras. “Há vários elementos probatórios”, disse.
O juiz destacou os relatos do empresário Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, que fez delação premiada e revelou bastidores da rede de propinas na Petrobras. O juiz também citou o pagamento de valores por empreiteiras envolvidas no esquema criminoso de valores à JD Assessoria e Consultoria, ainda durante 2013 e 2012, entre elas a UTC Engenharia até outubro de 2014.
“Embora as prisões cautelares decretadas no âmbito da Lava-Jato recebam críticas, o fato é que, se a corrupção é sistêmica e profunda, impõe-se a prisão preventiva para debelá-la, sob pena de agravamento progressivo do quadro criminoso”, avaliou.
Para o magistrado, a ordem de prisão de Dirceu e de outros alvos da Pixuleco não é uma antecipação de pena.
Prisão de jornalista
O Ministério Público pediu a prisão temporária do jornalista Leonardo Atuch, responsável pelo blog Brasil 247, e o bloqueio de 120 mil reais de contas ligadas a ele pelo recebimento de propinas dirigidas ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Porém, o juiz Moro negou os pedidos.
