Foi de ressaca a segunda-feira (5) pós-eleição no QG da campanha de Lula, com resultado nas urnas bem diferente do esperado. O petista convocou duas reuniões no Palácio da Alvorada, uma no início da tarde, com o chamado “núcleo duro” da campanha, e outra geral, por volta das 17h, com políticos eleitos e não eleitos. A coluna ouviu de partícipes das reuniões que Lula ainda “está no salto” e são pelo menos dois grupos que trocam acusações e o fardo da culpa: o da comunicação e o político.
Falta feijão
O nome do núcleo político é Edinho Silva, presidente do PT, chamado de “fraco” e pouco ouvido por Lula durante a campanha.
Gregos e troianos
A parte da comunicação, ligada ao marqueteiro Sidônio Palmeira, não fala a mesma língua da turma que auxilia Lula nas decisões políticas.
Dormiu no ponto
As críticas estão no timing do anúncio de benesses, como bolsa família, veto às bets, e o modelo de comunicação por podcast, sem entrevistas.
Teimosia cara
Nos dois lados há críticas a Lula, que insistiu em discurso sobre “legado” e de pouco apelo, tipo soberania e terras raras, e a militância de Janja.
Bets avaliam cenário mais difícil no Congresso
A guinada à direita do Congresso, com resultado das urnas de domingo (4), não foi bem recebida pelas plataformas de apostas online, chamadas de bets, que esperavam uma boia de salvação contra a Media Provisória de Lula que, às vésperas da eleição, proibiu a jogatina. Antes da eleição, o setor apostava que a medida estava fadada a caducar, termo usado quando uma medida provisória perde a validade por não ser votada dentro do prazo de 180 dias. Agora, há receio de derrota no Congresso.
É contra
Flávio Bolsonaro (PL), expoente da direita que emprestou prestígio para eleger novo Congresso conservador, é contra os cassinos on-line.
Deu ruim
Com pouca esperança no Congresso, as plataformas colocam as fichas no Supremo. Esperam por decisão favorável do ministro Luiz Fux.
Offline
As empresas têm pressa. Até ontem, os usuários deveriam retirar os valores mantidos nas plataformas, que hoje (6) saem do ar.
Caiado com Flávio
Flávio Bolsonaro (PL) deve receber hoje (6) o primeiro apoio de adversários derrotados no domingo (4). Ronaldo Caiado (PSD) espera o candidato em Goiás para fechar aliança contra Lula (PT).
Ex não impressiona
Os ex-governadores do DF Rodrigo Rollemberg e Cristovam Buarque, ambos do PSB, não conseguiram sequer emplacar vaga de suplente de deputado federal. Ficam sem cargos eletivos pelos próximos 4 anos.
Pesquisas erraram feio
Não chegou nem a um ponto percentual a soma dos três candidatos nanicos de extrema-esquerda ao governo de São Paulo (do UP, PSTU e PCB). Conseguiram, somados, apenas 0,93% dos votos paulistas.
Pesquisas erraram feio II
Foi de mais de 4,3 milhões a diferença de votos entre André do Prado (PL), o segundo colocado para o Senado em São Paulo, para a terceira, Simone Tebet (PSB), que institutos de pesquisas davam como eleita.
Superou o pai
Este ano, Flávio Bolsonaro (PL) teve 5 milhões de votos a mais que o pai Jair Bolsonaro, em 2022. Foram 51 milhões no primeiro turno para o ex-presidente e 56,1 milhões, no domingo (4), para o senador.
Difícil fora
O ex-governador do Goiás Ronaldo Caiado (PSD) teve apenas 800 mil votos a mais para presidente (2,6 milhões) do que conquistou na sua reeleição no seu estado (1,8 milhão), em 2022.
Comparação estrangeira
Na Flórida, estado americano com o maior número de brasileiros nos EUA, Flávio Bolsonaro (PL) teve 76,5% dos votos. Em Lisboa (Portugal), maior população brasileira na Europa, Lula venceu com 53,5%.
Autoritários com Lula
Em Havana, capital da ditadura cubana, Lula teve 94,7% dos votos (36) e Flávio (PL) empatou com o candidato de extrema-esquerda Edmilson Costa (PCB); um voto cada. Lula também venceu no Irã e na Rússia.
Pergunta no palácio
Foi primeiro turno ou aviso prévio?
Poder sem Pudor
Como perder votos
O vereador Nei Ferreira fazia campanha pela reeleição, em Conquista (BA), quando foi recebido com festa em um bairro da cidade. “Quero 750 votos aqui!” gritou no palanque. O cabo eleitoral puxou o microfone e exclamou, empolgado: “Nei, aqui você vai ter 1.500 votos!”. Microfone aberto, Nei Ferreira foi direto ao ponto: “Já soube que 1.500 eleitores prometeram votar em mim, aqui no bairro, mas como eleitor é um bicho muito safado, aceito a metade”. Sua sinceridade custou-lhe a reeleição.
Cláudio Humberto
@diariodopoder
