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Petrobras culpa distribuidoras por alta do diesel e vende com ágio

Enquanto isentava a Petrobras pela alta nos postos, a CEO anunciava um reajuste de 11% no preço do diesel nas refinarias da estatal. (Foto: Fernando Frazão/ABr)

A Petrobras acusou hoje as distribuidoras de combustível de se aproveitarem da guerra no Irã para aumentar preços e engordar margens, ecoando recentes ataques de membros do Governo ao setor.

O discurso duro, no entanto, bate de frente com a prática da própria Petrobras, que está vendendo parte da produção de suas refinarias com ágio sobre o preço “oficial”, a valores próximos do mercado internacional.

Para conseguir fazer esses leilões, obtendo cotações melhores, a Petrobras está entregando às distribuidoras volumes no range inferior das cotas de fornecimento acordadas com cada cliente, fazendo uso de uma flexibilidade prevista nos contratos.

Um pregão na quarta-feira, por exemplo, vendeu o litro de diesel a R$1,80 acima do preço de tabela divulgado ao público. Hoje e na segunda-feira, serão leiloados mais 240mil metros cúbicos de diesel e 95 mil m³ de gasolina.
Comprando parte do suprimento a preços mais altos, as distribuidoras repassam os valores nos postos – enquanto sofrem ataques de sua fornecedora e de autoridades, incluindo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Com a disparada do preço do petróleo depois do conflito no Oriente Médio, o diesel subiu quase 9% nas bombas na média nacional só na semana passada, e a gasolina 2%, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação(IBPT) realizado a partir de notas fiscais eletrônicas.

Mas ao falar com jornalistas hoje, a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, isentou a companhia de qualquer responsabilidade.

“Estamos nos esforçando para entregar mais produto para o mercado brasileiro e superando as cotas acordadas no início do ano. Então, em relação a nós, acho que não cabe reclamação, não. Só cabe elogios. Estamos aceitando elogio, por telefone ou escrito.”

Ela também repetiu afirmações feitas esta semana pelo ministro Silveira e pelo chefe da Casa Civil, Rui Costa, que lamentaram a privatização da antiga BR Distribuidora (hoje Vibra Energia)no Governo Bolsonaro, e disse que a Petrobras não tem mais poder de “influenciar preço” no varejo.

“Hoje todos os postos com o logo da Petrobras pertencem à Vibra. Que onera (o combustível),junto com todos os outros (distribuidores), muitas vezes especulativamente, aumentando a margem”, disse Magda.

Magda voltou a fustigar o varejo de combustíveis ao questionar as notícias de que estaria faltando diesel em algumas regiões.

“Como que está faltando produto se nós entregamos? Podemos supor que não é falta, é retenção de produto, especulando para aumentar margem.”

Enquanto isentava a Petrobras pela alta nos postos, a CEO anunciava um reajuste de 11% no preço do diesel nas refinarias da estatal, ou R$ 0,38 por litro.

O anúncio ocorreu menos de 24 horas após o Governo aprovar uma Medida Provisória reduzindo 99% do PIS Cofins do diesel — um subsídio de R$ 0,32 por litro, válido até dezembro. Além disso, para quem produz ou importa diesel no Brasil, o Governo vai dar uma subvenção de mais R$ 0,32.

“Nós estamos aumentando em R$ 0,38/litro e teremos ressarcimento de R$ 0,32. Então temos potencial ganho de R$ 0,70. E o consumidor final vai pagar a mais, por litro, R$ 0,06, um acréscimo irrisório,” disse Magda.

O subsídio, que veio junto com isenção de impostos federais, será bancado com um imposto de12% sobre exportações de petróleo. A própria Petrobras será afetada, mas a CEO minimizou impacto.

“O petróleo chegou a US$ 59 por barril, e agora foi para US$ 100. É um cenário de guerra. Não posso reclamar.”

Sem reclamar do Governo, e focando as críticas nas distribuidoras, Magda ainda disse que cabeàs autoridades fiscalizar o varejo de combustíveis.

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