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Petrobras reduz preço do querosene de aviação; preço das passagens aéreas pode cair

A redução pode aliviar parte da pressão sobre os custos das companhias aéreas e ajudar a conter reajustes nas passagens. (Foto: Arquivo/O Sul)

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) uma redução de 14,2% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras. A queda representa um recuo de R$ 0,93 por litro em relação aos valores praticados em maio e ocorre após uma sequência de reajustes para cima observada desde março.

Segundo a estatal, a redução reflete a diminuição das pressões sobre o mercado internacional de petróleo após um período de forte volatilidade provocado pela guerra no Oriente Médio. Nas últimas semanas, houve uma acomodação das cotações da commodity, permitindo o ajuste para baixo no combustível utilizado pelas companhias aéreas.

O conflito na região vinha elevando os preços do petróleo em todo o mundo devido ao temor de interrupções na oferta global. Como o querosene de aviação acompanha a variação das cotações internacionais do petróleo e da taxa de câmbio, os aumentos registrados nos últimos meses acabaram elevando significativamente os custos operacionais das empresas aéreas brasileiras.

A redução anunciada pela Petrobras pode trazer algum alívio para o setor aéreo, que enfrenta um cenário de custos elevados. O combustível é considerado uma das principais despesas das companhias e possui influência direta na formação do preço das passagens. Dessa forma, a queda no valor do QAV tende a reduzir parte da pressão financeira enfrentada pelas empresas e pode contribuir para conter reajustes tarifários nos próximos meses.

O querosene de aviação comercializado pela Petrobras é reajustado mensalmente com base em critérios de mercado. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível passou a representar cerca de 45% dos custos operacionais das companhias após as sucessivas altas registradas ao longo deste ano.

Apesar do recuo anunciado neste início de mês, o combustível ainda acumula valorização expressiva em 2026. Segundo dados da Petrobras, o preço médio do QAV segue 54,5% acima do registrado no início do ano. Em comparação com dezembro de 2025, o valor permanece R$ 1,98 por litro mais elevado.

O cenário demonstra que, embora a redução seja relevante, ela não elimina os impactos provocados pela escalada dos preços internacionais observada nos primeiros meses do ano.

Além da queda promovida pela Petrobras, o setor recebeu recentemente outra medida de apoio. Na semana passada, o governo federal prorrogou até 31 de julho a isenção de tributos sobre a venda e a importação de querosene de aviação e biodiesel. A iniciativa faz parte do pacote de ações anunciado em abril para reduzir os efeitos da alta do petróleo sobre os combustíveis e minimizar os impactos sobre a inflação e os custos de transporte no País.

Especialistas avaliam que a combinação entre a redução dos preços praticados pela Petrobras e a manutenção dos incentivos tributários pode contribuir para melhorar as condições financeiras das companhias aéreas, embora a evolução do conflito no Oriente Médio continue sendo um fator de risco para o comportamento dos preços nos próximos meses.

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