A Pfizer e a BioNTech enviaram, na terça-feira (28), os dados iniciais para pedir a aprovação da sua vacina contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos ao FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora dos Estados Unidos. As farmacêuticas esperam entrar com um pedido formal nas próximas semanas de uso emergencial do imunizante nesta faixa etária. O aval é um passo importante para a Anvisa seguir a mesma orientação no Brasil.
No último dia 20 de setembro, a Pfizer e a BioNTech anunciaram que a sua vacina contra a covid-19 gerou uma resposta imune robusta em crianças de 5 a 11 anos durante as fases 2 e 3 do ensaio clínico, e que correspondeu ao que elas haviam observado anteriormente em adolescentes e jovens adultos de 16 a 25 anos.
Segundo as farmacêuticas, o perfil de segurança também foi comparável ao da faixa etária mais velha. Os resultados são referentes ao estudo feito com 4.500 crianças entre 6 meses e 11 anos nos Estados Unidos, na Finlândia, na Polônia e na Espanha.
As empresas disseram ainda que planejam enviar os dados para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e para outras autoridades regulatórias no mundo. No Brasil, assim como nos Estados Unidos, a aplicação do imunizante é autorizada atualmente para adolescentes a partir de 12 anos.
O pedido para ampliar a faixa etária que pode receber a vacina vem em um momento em que o país norte-americano enfrenta uma alta nas infecções em crianças. Segundo a Academia Americana de Pediatria, os casos de covid-19 neste público atingiram seu ponto mais alto no início de setembro.
Embora as crianças sejam menos suscetíveis a desenvolver formas graves da doença, elas podem transmitir o vírus para outras pessoas, incluindo populações mais vulneráveis. A autorização para a aplicação do imunizante pode ajudar a mitigar um aumento potencial de casos neste outono, com escolas já abertas em todo o país.
Eficácia contra variante
Um estudo conduzido pelas equipes da Escola de Medicina da Universidade da Cidade de Yokohama e do Hospital Universitário da Cidade de Yokohama, no Japão, mostrou que a vacina da Pfizer/BioNTech é 76% eficaz na neutralização da variante Mu (B.1.621) do SARS-CoV-2, o vírus causador da Covid-19.
Os resultados iniciais da pesquisa ainda não foram revisados por pares, mas indicam uma boa notícia devido à maior capacidade da variante em escapar da imunidade induzida por infecção ou pela vacina.
A equipe responsável pelo estudo realizou testes de neutralização baseados em partículas semelhantes ao vírus encontradas em soros coletados de indivíduos uma semana após receberem a segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech. Os resultados sugerem que o imunizante é capaz de induzir uma resposta imunológica contra todas as variantes testadas: Mu, Delta, Alfa, Gama, Beta e Lambda.
A pesquisa também constatou que o coquetel de anticorpos monoclonais duplo de casirivimabe e imdevimabe foram eficazes na neutralização da variante Mu e de todas as outras cepas presentes no estudo.
Descoberta na Colômbia e já detectada no Brasil, a cepa Mu ainda não é considerada uma “variante de preocupação” (VOC) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e sim uma “variante de interesse” (VOI).
Ela também não é predominante nos locais em que foi encontrada; no entanto, a mutação chama a atenção por, segundo a OMS, ter “uma constelação de mutações que indicam propriedades potenciais de escape da imunidade”. As informações são do jornal O Globo.
