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Pilotos de avião do PCC ganham R$ 750 mil para viajar com drogas

Voos eram realizados com compartimentos lotados de tijolos de cocaína. (Foto: Reprodução)

Voar 4 mil quilômetros entre Boa Vista (RR) e Campinas, no interior paulista, ou mesmo de Sorocaba às Ilhas Canárias, na Espanha, cruzando o Atlântico, não era problema para o comandante Thiago Almeida Denz e o copiloto Renan Machado Melo, denunciados pelo Ministério Público de São Paulo por integrar o núcleo de execução aérea do Primeiro Comando da Capital (PCC) e realizar voos com compartimentos lotados de tijolos de cocaína. Cada piloto recebia cerca de R$ 750 mil por operação doméstica e, no tráfico internacional, US$ 800 por “peça” de entorpecente embarcada.

Thiago e Renan estão entre os dez acusados pelo MP por tráfico de drogas e associação para o tráfico por transportar 510 tijolos de cocaína (509,9 kg) e três porções de maconha prensada (2,4 kg) entre a capital roraimense e o interior de São Paulo. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos pilotos.

O serviço logístico e financeiro dos voos operados por Thiago e Renan ficava a cargo de João Carlos Camisa Nova Júnior, o Don Corleone, e André Roberto da Silva, o Urso. Corleone é apontado como articulador e financiador do núcleo aéreo da facção. Dono da JRCN Táxi Aéreo, foi responsável por fretar a aeronave utilizada entre Roraima e Campinas e confirmou que o voo foi organizado a seu pedido, indicando que os pilotos tinham conhecimento da carga ilícita.

Já Urso é descrito pelo MP como responsável pelo apoio logístico e operacional. Titular da CIP Group, foi identificado como passageiro do voo que transportou drogas entre Roraima e Campinas. Em depoimento, afirmou que Corleone propôs usar a estrutura empresarial da JRCN para o envio de drogas e confirmou ter viajado na aeronave ao lado dos pilotos e do próprio Corleone.

Além da investigação que apura o tráfico interestadual, Thiago Almeida e Renan Melo também são suspeitos na Operação Mafiusi, que mira a associação de empresários brasileiros com integrantes da máfia italiana ’Ndrangheta. Feita pela Polícia Federal, a Mafiusi revelou que, em julho de 2020, Thiago e Renan realizaram um voo de Sorocaba (SP) às Ilhas Canárias. Segundo a investigação, Renan relatou, por meio da plataforma criptografada SkyECC, que a aeronave estava “carregada até o último buraco” e sem fiscalização.

De fabricação francesa, a aeronave foi adquirida pela empresa Jet Class Aviation S.A., de propriedade dos denunciados Marco Antonio Bruno da Silva e Guilherme de Almeida Piscelli, por meio de contrato de compra e venda com garantia firmado em 6 de maio de 2020. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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