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Planilha aponta parte de suposta propina de 52 milhões de reais para Eduardo Cunha

Presidente da Câmara não se manifestou sobre investigações. (foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Planilha que faz parte da delação premiada do executivo da Carioca Engenharia Ricardo Pernambuco Júnior, investigado na Operação Lava-Jato, detalha como teria ocorrido o pagamento de parte da suposta propina de R$ 52 milhões ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A peça faz parte de inquérito autorizado contra Cunha pelo ministro Teori Zavascki, a pedido da Procuradoria Geral da República.

Planilha de depósitos entregue pelo empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, aos investigadores, detalha depósitos que teriam sido propina para Eduardo Cunha (Foto: Reprodução)

A planilha foi divulgada nesta sexta-feira (15) pelo jornal “Estado de S. Paulo” e faz parte da delação, revelada pela revista “Época” em dezembro.

Procurado, Eduardo Cunha disse que não vai se manifestar sobre o caso, que o assunto relativo à empresa Carioca é velho e que já se manifestou anteriormente.

A investigação da Procuradoria se baseia nas delações premiadas dos empresários da Carioca Engenharia Ricardo Pernambuco Júnior e do pai dele, Ricardo Pernambuco. Segundo os delatores, o peemedebista recebia propina a partir de recursos do FI-FGTS, um fundo destinado a empresas. A delação foi homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Este é o terceiro inquérito contra Cunha. A suspeita da PGR é de que o parlamentar tenha solicitado e recebido propina do consórcio formado por Odebrecht, OAS e Carioca Christiani Nielsen Engenharia – que atuava na obra do Porto Maravilha – no montante de cerca de R$ 52 milhões.

Na planilha apresentada pela Carioca são detalhadas 22 transações que somam quase US$ 4,7 milhões. A primeira transferência de dinheiro teria sido feita no Israel Discount Bank no valor de US$ 220 mil.

Conforme os delatores, Cunha teria recebido propina no valor de 1,5% dos títulos comprados pelo FI-FGTS, paga em 36 parcelas. O documento entregue aos investigadores mostra depósitos feitos entre agosto de 2011 e setembro de 2014, que teriam sido propina a Cunha.

Ainda segundo as investigações, Cunha era próximo do então vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, que integrava o conselho curador do FGTS. O dinheiro do fundo seria utilizado para permitir as obras do porto.

Para Rodrigo Janot, as informações apresentadas pelos delatores são “robustas” e fundadas, além de depoimentos, em documentos bancários que comprovam transferências, extratos de contas na Suíça, e-mails e anotações. Além de abrir o inquérito, o ministro Teori Zavascki também autorizou a coleta de provas. (AE)

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