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Poderosos na década passada, Lula, Palocci e Dirceu devem ocupar celas diferentes no mesmo sistema penitenciário

José Dirceu foi ministro da Casa Civil. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

Há 14 anos, falava-se em Brasília que José Dirceu era o primeiro ministro, o homem que comandava o Brasil. Não era verdade. Dirceu, de fato, era o todo-poderoso chefe da Casa Civil que mandava na relação com o Congresso e tinha muita força junto a Lula. Cuidava da relação do Planalto com os aliados, que, soube-se em 2005, estava contaminada por mesadas criminosas a políticos e partidos, esquema desbaratado no escândalo do mensalão.

Era parrudo, mas não dominava a cena sozinho. Ele mesmo sabia, embora não gostasse, que fazia parte de uma constelação formada por outras duas estrelas.

Lula era o líder popular que fazia do PT um sucesso nacional. E levava para o mundo a imagem de um país que finalmente entrava nos trilhos.

Antonio Palocci tinha papel decisivo. Caiu nas graças do mercado e do empresariado a partir de uma gestão econômica calçada na segurança e previsibilidade. Os três eram intocáveis. Hoje, Dirceu é o único livre, condição que mudará nos próximos dias com a inevitável expedição da ordem de prisão pelo juiz Sérgio Moro.

A Lula e ao ex-ministro sobram apenas o discurso da perseguição política e o abraço da militância.

Palocci ainda não foi condenado, mas está preso porque, livre, pode prejudicar as investigações da Lava-Jato. Chegou a sair do PT com a esperança de – ao delatar os velhos companheiros – livrar-se da cadeia. Mas não convenceu.

Uma década e meia depois, um mensalão depois, uma Lava-Jato depois, a constelação que governou o país deve ocupar celas diferentes do mesmo sistema, o penitenciário de Curitiba.

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