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Polícia aguarda revelações da caixa-preta do carro em que morreu o cantor sertanejo Cristiano Araújo

Cantor morreu em acidente de carro, no dia 24 de junho. (Foto: Reprodução)

Uma peça fundamental do veículo de Cristiano Araújo, 29 anos, um Range Rover Sport, pode determinar o que causou o acidente de trânsito em que o cantor e sua namorada, Allana Moraes, 19, morreram. O sinistro aconteceu na BR-153, em Morrinhos (GO), na volta de um show em Itumbiara (GO). A maior parte dos carros importados têm um computador de bordo que grava as informações da viagem, funcionando como uma espécie de “caixa-preta”, de acordo com o delegado-titular da Delegacia de Morrinhos (GO), Fabiano Jacomelis, responsável pelas investigações. Segundo ele, a análise do dispositivo será muito importante para o esclarecimento do caso.

“Essas informações, como velocidade e condições técnicas do veículo, serão muito importantes porque o velocímetro do carro de Cristiano é eletrônico, então a velocidade não fica marcada. Por conta disso, ainda não sabemos a velocidade do condutor no momento do acidente”, explicou o delegado.

Peritos
Jacomelis informou que entrou em contato com a empresa que representa a Land Rover no Brasil, marca que produz o modelo de carro do sertanejo. A companhia se dispôs a enviar peritos para retirar as informações do computador de bordo, já que é necessário o uso de aparelhos eletrônicos para fazer a leitura dos dados. A assessoria de imprensa da Land Rover, por sua vez, informou que a empresa já está oficialmente em contato com a polícia e que disponibilizará um técnico para ajudar a coletar e interpretar as informações reveladas pelos aparelhos. No entanto, disse que ainda não é possível avaliar quais dados estarão disponíveis, pois tudo depende do grau de destruição dos sensores durante o acidente. A empresa destacou que o modelo Range Rover Sport usado por Cristiano Araújo possui uma série de módulos capazes de registrar o comportamento do veículo, e que não estariam concentrados em um compartimento, como acontece com a caixa-preta de um avião.

Imagens
O estudante de enfermagem Leandro Almeida Martins, 24, prestou depoimento e assumiu que passou o vídeo feito na Clínica Oeste, em Goiânia, durante a preparação do corpo do cantor para duas tias, segundo a Polícia Civil. Os esclarecimentos foram feitos na sexta-feira. As imagens foram gravadas pela colega do rapaz, Márcia Valéria dos Santos. A técnica confessou que gravou o vídeo e enviou ao jovem.

Remoção da web
A Justiça solicitou ao Google e Facebook que as imagens sejam retiradas da internet. Em caso de descumprimento, a multa diária é de 10 mil reais. No vídeo, o técnico em tanatopraxia (procedimento de retirada dos fluídos do corpo para o enterro) Marco Antônio Ramos, 41, aparece fazendo os preparativos no corpo para o funeral. O arquivo acabou vazando nas redes sociais e causando grande revolta em fãs e familiares. A assessoria de imprensa da Clínica Oeste informou ao portal G1 que os funcionários já foram demitidos.

Nota
Por meio de nota, o estabelecimento afirmou que repudia a ação dos empregados. “A Clínica Oeste existe há quatro anos e reitera seu compromisso com a ética, a transparência, o zelo pela prestação do serviço e o respeito às famílias, e se solidariza com todos os que, como ela, repudiam tal ato”, destacou o texto.

“O Leandro não soube explicar o motivo de ter divulgado o vídeo para as tias, disse apenas que recebeu da Márcia e divulgou. Mas ele falou que apagou logo em seguida e não sabe como essas imagens chegaram a tantas pessoas”, explicou Eli José de Oliveira, delegado responsável pelo caso.

Consequências
Assim como os dois técnicos em tanatopraxia, o jovem será indiciado pelo crime de vilipendiar cadáver (desrespeito ao corpo), com pena que vai de um a três anos de prisão. Ainda segundo Oliveira, as duas tias serão ouvidas nesta semana para saber se elas repassaram para mais pessoas. “Informações antecipadas que nós tivemos por parte do Leandro é que elas não teriam passado para mais ninguém. Mas ainda é cedo concluir se ele só passou para as duas, se elas realmente não repassaram ou até mesmo se a Márcia não enviou para outras pessoas também”, disse o delegado do caso.

(AG)

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