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Polícia Civil inicia operação para identificar e localizar pessoas desaparecidas durante as enchentes no Rio Grande do Sul

Imagem mostra a Divisão de Operações Aéreas da Polícia Civil em voo com o helicóptero Gavião Uno na região do Vale do Taquari. (Foto: PC-RS/Divulgação)

Além das ações e operações humanitárias que vem realizando desde o início das enchentes no Vale do Taquari, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PC-RS) iniciou no último sábado (9) a Operação Desaparecidos para determinar, com mais clareza e exatidão, o número exato de pessoas que ainda não foram localizadas e auxiliar na busca por elas. O último boletim divulgado pela Defesa Civil gaúcha apontava que, até as 18h30min desse domingo (10), um total de 46 pessoas seguiam desaparecidas e outras 3.130 haviam sido resgatadas.

Os policiais realizarão diligências nos sete municípios mais atingidos pelos recentes acontecimentos (Arroio do Meio, Cruzeiro do Sul, Encantado, Estrela, Lajeado, Muçum e Roca Sales), em um esforço concentrado para esclarecer e sanar eventuais inconsistências nas listas de desaparecidos.

Para tais diligências, dez equipes, em um total de 35 policiais civis que trabalham na capital gaúcha, deslocaram-se para as localidades atingidas, somados a mais 83 agentes da região, perfazendo um total de 118, que contam ainda com dez viaturas.

As equipes entrarão em contato com familiares de desaparecidos e realizarão investigações detalhadas para garantir que o número total seja o mais preciso possível.

Em parceria com o Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS), a polícia notificará as famílias afetadas, iniciando imediatamente o processo de coleta de DNA, fundamental para facilitar a identificação de possíveis vítimas.

Os dados serão disponibilizados de forma informatizada para que outros órgãos possam acessar e contribuir para a resolução da situação.

O chefe da PC-RS, Fernando Sodré, enfatizou a importância da colaboração e coordenação entre as várias instituições envolvidas nesse esforço conjunto. “Estamos à frente na busca pela precisão dos números de desaparecidos, mas também estamos trabalhando em estreita colaboração com outras instituições. Vamos compartilhar nossos números para que todos possam acessar as informações necessárias”, afirmou.

Mutirão

O IGP-RS inicia nesta segunda-feira (11) um mutirão para confecção de carteiras de identidade para a população afetada pelas enchentes resultantes das chuvas intensas do início do mês. A força-tarefa vai atuar inicialmente no município de Muçum. Em Roca Sales, a operação começa nesta terça-feira (12). Os dois municípios foram os mais atingidos pela cheia do rio Taquari. A segunda via do documento para quem perdeu em virtude do desastre ocorrido na região será emitida de forma gratuita.

A fim de possibilitar a operacionalização do serviço, o IGP tem a parceria da administração municipal. Para confeccionar o documento de identidade, é necessário portar certidão de nascimento ou casamento, atualizada e em bom estado, o que a maior parte das vítimas também perdeu nas enchentes. Diante dessa dificuldade, o IGP já está em interlocução com cartórios e as autoridades da região para emissão de novas certidões. Os cidadãos devem procurar diretamente os postos de atendimento do IGP que serão instalados nos dois municípios.

Veja abaixo os locais de atendimento:

– Em Muçum, o posto de atendimento será montado junto ao Hospital Municipal, em uma sala anexa ao atendimento hospitalar da cidade. O endereço é rua João Dalazen, 105.

– Em Roca Sales, o posto de atendimento será montado no Centro de Referência de Assistência Social (C Cras). O endereço é rua General Daltro Filho, 1.747.

Ambos os locais funcionarão das 9h às 12h e das 13h30min às 17h, enquanto houver necessidade.

O diretor-geral adjunto do IGP-RS, perito criminal Maiquel Luis Santos, enfatiza a importância do mutirão nos locais afetados para reestabelecer as condições mínimas de cidadania da população. “O documento de identidade é essencial para acessar diversos serviços que a população irá necessitar para retomar a rotina. O IGP está iniciando esse trabalho para prestar a população o melhor serviço possível neste momento de necessidade”, disse.

Coleta de DNA

Nos postos de identificação montados para atender a população, os cidadãos que ainda tiverem familiares desaparecidos poderão fornecer ao IGP-RS amostra de material genético para exame de DNA. A coleta é rápida, feita a partir da saliva. A informação será inserida no Banco de Material Genético do IGP para comparações com a base de dados, o que pode facilitar a verificação de compatibilidade com o material genético de vítimas que venham a ser localizadas.

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