A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu um inquérito esta semana onde afirma que Michella Marys, ex-mulher de Roberto Caldas, ex-juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, arquitetou, junto com outras duas funcionárias que trabalhavam na casa onde ela vivia com Caldas, um plano para denunciá-lo falsamente por assédio sexual.
No início deste ano, ele foi condenado em segunda instância na Justiça do Trabalho a pagar cerca R$ 50 mil em indenização justamente pelo suposto assédio à empregada Giselle Guimarães, com quem diz ter tido um caso consensual – cabe recurso.
Caldas apresentou à polícia uma série de áudios gravados com testemunhas do caso. Um deles é de uma ligação supostamente recebida de Giselle, que consta no ofício. Na conversa, ela afirma que foi usada e que a intenção da ex-esposa, Michella, era enfraquecê-lo em relação a outro caso que corria paralelamente na Justiça naquela ocasião, em 2018: o de agressão e ameaça contra ela, o qual ele também foi condenado no ano passado, no âmbito criminal, e responde em liberdade.
“Nós fomos usadas, tanto eu e a Nalvina, fomos usadas. Isso aí é tudo para favorecer o processo da Michella”, disse supostamente Giselle numa das conversas com Caldas. “Nós somos uma peça desse xadrez”.
À polícia, Caldas narrou uma conspiração supostamente criada por Michella, onde ela teria feito uma aliança com Giselle Guimarães para incriminá-lo por assédio sexual contra ela. O inquérito cita, inclusive, uma outra mulher que trabalhava na residência do casal e que, em depoimento, confirmou ter sido procurada por Michella e Giselle para corroborar a suposta mentira, na promessa de ser resguardada por um bom advogado e, também, de receber uma bolada “de R$ 50 mil a R$ 100 mil” em caso de condenação.
O ex-juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos enviou à polícia um áudio onde Giselle avisa sobre os supostos planos de Michella. A Polícia Civil concluiu ainda que outra funcionária da casa, Nalvina Pereira, também participou da falsa denúncia. A defesa de Caldas afirma que ela o procurou para pedir desculpas. O advogado afirma ainda que irá recorrer à Justiça do Trabalho, agora com as gravações feitas, para tentar a absolvição de Caldas.
Michela Marys repudiou a decisão da Polícia Civil do DF e reforçou o que foi decidido pela Justiça do Trabalho de Brasília sobre a condenação do ex-marido. Ela diz ser vítima de uma perseguição por parte de Caldas.
“Isso prova mais uma vez que a violência doméstica não acaba com a separação. É o típico caso de quem persegue mulher. Eu não acredito na polícia, porque a mesma polícia me indiciou em 2019 e o promotor derrubou a decisão. Agora, é o seguinte: há uma decisão de um colegiado de três desembargadores que condenaram ele por assédio sexual. Então, me causa surpresa um delegado indiciar e concluir um inquérito, sendo que ele já foi condenado. Um delegado vale mais que um juiz? Vamos deplorar a decisão de três desembargadores por causa de um delegado?”
O advogado de defesa de Marys, Pedro Calmon, também comentou sobre a conclusão do inquérito, onde ele inclusive é citado por supostamente coagir as testemunhas, e se disse abismado.
“A defesa está abismada com o absurdo que é este indiciamento. Em primeiro lugar porque todos os fatos que constam desse inquérito já foram objeto de julgamento pela Justiça Criminal do DF que condenou Roberto Caldas com base no depoimento das testemunhas de Michella; e as testemunhas de Caldas (as mesmas citadas no inquérito) foram declaradas como falsas testemunhas por terem cometido, elas sim, o crime de falso testemunho”, disse.
Caldas desqualificou as acusações feitas pela ex-mulher e disse acreditar na Justiça.
“A minha condenação deu-se justamente pelas palavras de Michelle e Giselle, que mentiram, como se vê. As palavras delas perderão credibilidade na sequência do outro processo”, comentou. “Desde o início digo que fui enredado em uma grande teia de mentiras, perversamente arquitetada. Já são três anos afastado do meu trabalho. Apesar da demora, a Justiça está sendo feita passo a passo, está no fim a tormenta de ser acusado pelo que abomino e contra o que sempre lutei: violência contra a mulher.”
