O depoimento de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e ex-controlador do Banco Master, à Polícia Federal (PF), inicialmente marcado para as 14h de quarta-feira (21), foi adiado para o dia 29 de outubro. A corporação não informou o motivo do adiamento da oitiva. A oitiva seria realizada por videoconferência, já que Zettel está detido na penitenciária de Potim, no interior de São Paulo.
A oitiva foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do inquérito que investiga as ações do grupo conhecido como “A Turma”. Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi preso quando tentava embarcar para Dubai, em um avião particular.
Segundo a defesa, após entrar na sala virtual o delegado responsável pela audiência alegou problemas na conexão de internet da unidade prisional e desmarcou a oitiva.
Atuação como operador financeiro
A Polícia Federal aponta Fabiano Zettel como o operador financeiro do grupo investigado. Segundo a apuração policial, ele atuou diretamente em funções estratégicas e operacionais:
– operacionalização de pagamentos ilícitos;
– estruturação de contratos simulados para lavagem de dinheiro;
– financiamento das atividades de vigilância.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal também indicam tratativas sobre repasses e pagamentos ligados ao esquema apurado pelos investigadores.
Estrutura e ações de “A Turma”
Segundo a investigação da Polícia Federal, o grupo incluía um núcleo de comando, responsável pelas estratégias financeiras e pelas ordens de atuação expedidas para a organização.
A corporação identificou ainda a existência de uma estrutura paralela conhecida como “A Turma”, usada para finalidades específicas:
– monitorar alvos;
– obter informações sigilosas;
– intimidar desafetos.
Consultas ilegais
A Polícia Federal identificou acessos antecipados a procedimentos sigilosos do Ministério Público Federal. Conforme a apuração, aliados de Daniel Vorcaro fizeram consultas ilegais em bases restritas utilizando credenciais de servidores públicos.
O Ministério Público Federal confirmou que houve acesso indevido a seus sistemas e afirmou que servidores da instituição foram vítimas de phishing.
Os quatro núcleos investigados
A apuração conduzida pela Polícia Federal aponta a divisão das atividades em quatro núcleos principais:
– financeiro: relacionado às fraudes contra o sistema financeiro;
– de corrupção institucional: voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central;
– de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro: com uso de empresas interpostas;
– de intimidação e obstrução de Justiça.
As informações são do jornal Estado de Minas e da CBN.
