Ícone do site Jornal O Sul

Polícia Federal apreendeu com dono do Banco Master documentos sobre negócio imobiliário com deputado federal do partido de Bolsonaro

Ataques virtuais direcionados ao Banco Central se intensificaram nas redes sociais em dezembro. (Foto: Reprodução)

A investigação da Polícia Federal sobre crimes envolvendo o Banco Master apreendeu em um dos endereços ligados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) contendo documentos sobre um negócio imobiliário.

Os investigadores ainda não fizeram uma análise se há alguma suspeita de irregularidade envolvendo o conteúdo desse envelope. Procurado, Bacelar afirmou que atuou na constituição de um fundo para construir um empreendimento imobiliário em Trancoso, em Porto Seguro (BA), e por isso foi procurado por Vorcaro. O empresário manifestou interesse em adquirir uma parte do empreendimento e, por isso, Bacelar enviou documentos a Vorcaro sobre essa aquisição, mas o negócio não foi adiante.

“Ele me fez uma consulta sobre um imóvel em Porto Seguro, que não se concretizou. Quando o banco começou a entrar em dificuldade, ele pediu mais um tempo para poder exercer a opção. Foi feito um documento dando a opção de compra a Daniel Vorcaro”, afirmou Bacelar ao Estadão. A defesa do banqueiro não se manifestou.

Por causa desse documento, a própria defesa de Daniel Vorcaro apresentou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) na última sexta-feira (28), pedindo que a investigação seja toda remetida ao STF. Na ação, a defesa citou que o caso é semelhante à Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal da Bahia, que foi enviada ao Supremo por causa de documentos de uma transação imobiliária de um dos investigados com um deputado.

O pedido da defesa de Vorcaro foi distribuído para o ministro Dias Toffoli e faz parte de uma estratégia para tentar tirar o caso da primeira instância da Justiça Federal, que decretou a prisão preventiva dele. No mesmo dia em que essa ação foi apresentada ao STF, a desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Solange Salgado reconsiderou sua decisão anterior e decidiu revogar a prisão preventiva de Vorcaro e dos outros quatro presos na investigação. Eles deixaram a prisão no sábado.

Como os investigadores ainda não fizeram uma análise de todo o material apreendido na Operação Compliance Zero, deflagrada no último dia 18, não existe até o momento nenhuma suspeita a respeito desse negócio imobiliário. Por isso, a PF até agora entende que não existem elementos para enviar a investigação ao STF ou outras instâncias superiores.

Mas o empresário Daniel Vorcaro era considerado influente nos bastidores de Brasília e mantinha relações com políticos de diversos partidos.

A princípio, porém, a transação imobiliária encontrada não tem relação com a operação de venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), que é o objeto principal desse inquérito da Polícia Federal. Se surgirem indícios de crimes envolvendo outros fatos relacionados a Vorcaro, como por exemplo esse documento, a tendência é que novas frentes de apuração sejam abertas.

O conjunto de apreensões também inclui os aparelhos celulares dos investigados, que foram enviados à perícia e ainda estão sob análise. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, estava no exterior no momento da deflagração da operação, mas entregou espontaneamente o seu celular à Polícia Federal na última semana. (Coluna de Fasto Macedo do portal Estadão)

Sair da versão mobile