A PF (Polícia Federal) prendeu, na manhã dessa terça-feira, em Brasília, os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT) e o ex-vice governador Tadeu Filippelli (PMDB), atualmente assessor especial da Presidência da República.
A Operação Panatenaico é baseada na delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez sobre um esquema de corrupção nas obras do estádio Mané Garrincha, na capital federal. A PF diz que a reforma do local pode ter sido superfaturada em cerca de R$ 900 milhões, visto que estava orçada em R$ 600 milhões, mas custou R$ 1,575 bilhão. O estádio foi palcos de jogos da Copa do Mundo de 2014.
O advogado de Arruda, Paulo Emílio, afirmou que está “tomando pé das circunstâncias”, mas que vai tentar revogar o mandado prisão. A defesa do ex-vice governador Tadeu Filippelli afirmou que “preferia não se pronunciar por enquanto”.
Cerca de 80 policiais cumpriram dez mandados de prisão temporária, três de condução coercitiva e 15 de busca e apreensão na capital federal e arredores.
Além dos políticos, a operação tem como alvo agentes públicos, construtoras e operadores das propinas que atuaram na época. Segundo a PF, a suspeita é de que com a intermediação dos operadores, os agentes públicos tenham simulado etapas da licitação. O Mané Garrincha não recebeu financiamento do BNDES, mas da Terracap, empresa do governo do Distrito Federal que não tinha esse tipo de operação prevista entre suas atividades.
Agnelo, que foi governador do DF de 2011 a 2015, foi condenado a ficar inelegível por oito anos em 2016. O Tribunal Regional Eleitoral entendeu que ele e seu vice, Filippelli, usaram a publicidade do governo para se favorecer a campanha de 2014. Em fevereiro deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral manteve a punição ao ex-governador, mas absolveu o ex-vice. Filippelli foi nomeado assessor especial do gabinete pessoal de Temer em setembro de 2016.
